Portal do Autor

Artigo do Ministro da Cultura Juca Ferreira sobre a Consulta Pública da Rouanet, publicado em 12 jornais regionais: Correio Braziliense (DF), Estado de Minas (MG), Gazeta de Alagoas (AL), Jornal do Commercio (PE), Jornal do Tocantins (TO), O Imparcial (MA), Tribuna do Norte (RN), A Crítica (AM), A Tarde (BA), A Gazeta (AP), Jornal da Cidade (SE) e Correio do Povo (RS).


05 de maio de 2009

A hora da mudança

Vamos diversificar as formas de financiamento para democratizar o acesso e incentivar a economia da cultura

O Brasil vive um momento único em sua história. Pela primeira vez, o governo federal debate, com todos os setores artísticos, empresariais, partidários e governamentais, qual deve ser o modelo de fomento à cultura do país. A proposta de um novo modelo veio à luz e está em consulta pública para opiniões de todos os interessados no endereço www.cultura.gov.br/reformadaleirouanet, até o dia 6 de maio. Após esse período, as propostas serão sistematizadas e o projeto de lei, alterado. O texto ainda irá ao Congresso Nacional, casa onde estão representados todos os interesses nacionais, onde passará por uma discussão profunda.

O novo modelo é fruto de seis anos de gestão da atual Lei de Incentivo à Cultura e do debate feito desde 2003 com a classe artística, iniciado no seminário Cultura Para Todos. Neste momento de crise econômica, em que as empresas naturalmente tendem a reduzir custos, é a hora ideal para realizar mudanças que ampliem a capacidade de investimento, tanto público como privado, como explicarei a seguir.

O principal objetivo da mudança é diversificar as formas de acesso aos recursos públicos por parte de produtores e artistas. Ou seja, a renúncia fiscal, principal mecanismo atual, não acaba. Mas irá conviver com formas contemporâneas de fomento, já testadas em outras áreas, como ciência e tecnologia.

O Fundo Nacional da Cultura (FNC) é o que ganha as maiores mudanças. Além das doações que faz atualmente, passará a poder oferecer crédito a artistas e investimento em projetos culturais, com associação a seus resultados econômicos. Essa maior atratividade, com certeza, fará com que o FNC passe a ser a principal forma de fomento às artes nos próximos anos.

Além das novas formas de financiamento, o FNC passará a ser composto de mais quatro fundos setoriais. Além do Fundo Setorial do Audiovisual, criado ano passado, farão parte do FNC, o Fundo Setorial do Livro e Leitura, o Fundo Setorial das Artes - para teatro, dança, artes plásticas -, o Fundo Setorial da Diversidade, Cidadania e Acesso, o Fundo Setorial da Memória e Patrimônio, e também um Fundo Global de Equalização, para ações que não estejam em nenhum dos fundos.

Mas, o mais importante é que a gestão de cada um desses fundos setoriais, e do FNC como um todo, estará subordinada a conselhos paritários, formados por artistas, produtores, empresários e governo. Ou seja, em vez do “dirigismo”, propalado por alguns, o que fizemos foi aumentar o poder de participação das áreas artísticas na definição dos recursos públicos.

A renúncia continuará existindo, mas não mais como único mecanismo de fomento, com as consequências já conhecidas de exagerada concentração nas regiões de maior renda e nas mãos de poucos produtores. Além disso, não podemos chamar de “incentivo fiscal” uma medida que dá 100% de renúncia a uma empresa. Por isso, o Ministério da Cultura vai aumentar as faixas de renúncia - para 60%, 70%, 80% e 90% - o que exigirá uma maior contrapartida privada. Isso permitirá um aumento do investimento privado no setor.

Por fim, o Vale Cultura vai permitir enfrentar a exclusão de milhões de brasileiros dos produtos e eventos frutos de nossa diversidade cultural. Ao fornecer um ticket, equivalente ao Vale Refeição, no valor de R$ 50, a um universo de 12 milhões de trabalhadores, o vamos multiplicar o acesso e também injetar, de forma direta, cerca de R$ 600 milhões por mês no mercado cultural.

O Ministério da Cultura tem certeza da consistência das propostas que colocou em discussão. E isso é confirmado pela reação positiva de parlamentares, cidadãos e da maioria do setor artístico e de produção cultural. A crise econômica, ao invés de ser um empecilho à mudança, a torna necessária. As ações que vêm sendo tomadas por governos do mundo inteiro, tendo o Brasil à frente, comprovam que é preciso aumentar o investimento público em todas as áreas. Isso vale também para a cultura, área de ponta na economia mundial, em que o Brasil tem um potencial ainda pouco aproveitado.

Contamos com todos - artistas, produtores, empresários e cidadãos em geral - para contribuir conosco nesse momento de reflexão. E para se juntarem conosco, muito em breve, na implementação dessas medidas e na gestão compartilhada do fomento à cultura brasileira.

Juca Ferreira, ministro da Cultura

palavras-chaves: Juca Ferreira, Lei Rouanet, Minc, Ministério da Cultura, cultura, democracia, democratização, ministro

Exibições: 0

Responder esta

Enquete


Que cursos você quer que o Núcleo de Formação da Apijor ofereça?
Direito autoral
Elaboração de Projetos
Fotografia
Fotografia Digital
Edição de Foto
Edição Gráfica
Planejamento Gráfico
Legislação
Ética
Novas Mídias
Organizando seu Portfólio
Jornalismo especializado em Cobertura Social
Jornalismo, Ecologia e Meio Ambiente
Planejamento Estratégico e Empresarial
Outros


Ver Resultado
Crie uma Enquete

© 2012   Criado por Portal do Autor.   Ativado por .

Pôsteres  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço