Vanessa Silva
Atualizado em 05/10/2009
Uma das preocupações que levaram à criação da Comunidade do
Portal do Autor, desde o início, tem sido a de que os alunos de jornalismo tenham à sua disposição um espaço para fazer contato com um tema que geralmente não é abordado nos cursos de jornalismo oferecidos pelas faculdades e universidades.
Mas, para os estudantes de Jornalismo da Universidade Positivo de Curitiba, este não é um problema por causa do trabalho realizado pelo professor Emerson Castro Firmo da Silva que, durante um bimestre, dá aulas de Direito Autorais a seus alunos.
Integrante do Portal do Autor,
Emerson utiliza o próprio Portal como recurso para suas aulas e orienta seus alunos a integrarem esse espaço virtual. O
Portal do Autor conversou com o professor para saber mais sobre essa iniciativa e aproveitou a oportunidade para falar sobre a questão do Diploma de jornalista.
Confira a primeira parte da entrevista (sobre o diploma): Confira a segunda parte
aqui (sobre o Portal do Autor e os Direitos Autorais)
Portal do Autor: O diploma de jornalismo deixou de ser obrigatório para o exercício da profissão de jornalista. Como essa informação está sendo encarada pelos estudantes?
Émerson Castro: Eu percebo que toda essa discussão é muito confusa para eles. Mesmo os jornalistas que acompanham este debate desde quando a Folha [jornal Folha de S. Paulo] iniciou a discussão, nas décadas de 1970/80, estão perdidos. (...) Um dos argumentos muito utilizados contra o diploma é que fulano não fez faculdade de jornalismo e é um excelente profissional. Primeiro: este percentual é mínimo. Segundo: Este profissional certamente tem outra formação ou formações. Tem jornalistas conhecidos que não são formados porque em determinado momento da nossa história isso não era necessário, mas eles têm uma formação anterior e se formaram jornalistas nas redações ao longo do tempo. Curiosamente, o presidente do Sindicato das Empresas Jornalísticas do Paraná, Paulo Pimentel, afirmou em entrevista que não vê na queda do diploma vantagens para seu jornal, porque jamais contrataria alguém sem formação. Tampouco pagaria para formá-lo dentro do seu veículo.
PA: Uma das propostas que estão sendo feitas é a realização de cursos profissionalizantes de pós-graduação para formados em outras áreas...
Émerson: Não acho isso exatamente ruim, mas tem-se aí um problema. Para ter uma boa formação, o jornalista tem que estudar dois anos ou mais. Há uma longa discussão sobre que tipo de curso será esse. Suponho que tenha que ter uma parte técnica e outra teórica específica da área da comunicação, porque esse conteúdo não é dado por outra área. Talvez nessa pós a parte técnica não aparecesse, seria mais focado na parte teórica, de comunicação, e a parte técnica, ficaria para a empresa, que teria que investir nessa pessoa.
PA: Qual deve ser o papel do sindicato nesse processo?
Émerson: O sindicato é a única instituição que congrega jornalistas. Ainda não temos um conselho que faça isso, portanto, são eles que devem fazer esse papel de se aproximar das faculdades, fazer acordo com as empresas... O sindicato tem que ser o canal de discussão junto à categoria. Aqui no Paraná a convenção coletiva garantiu a contratação de jornalistas diplomados por parte dos jornais, revistas, rádios, televisões, até o final de setembro. Mas agora teremos uma nova negociação.
PA: Duas PECs tramitam no congresso para restabelecer a exigência do diploma. Elas têm chance de serem aprovadas?
Émerson: Os sindicatos precisam fazer um trabalho de esclarecimento sobre as PECs, por onde elas estão caminhando, quais as ações que estão sendo tomadas... Já percebemos que as pessoas têm que ter o máximo possível de informações sobre este processo porque é no âmbito das relações pessoais dos jornalistas e estudantes que conseguiremos estabelecer um clamor nacional para pressionar o Congresso. Os parlamentares até agora têm se mostrado solícitos à nossa reivindicação, mas quando começarem as votações, os empresários, os donos dos jornais vão fazer um lobby muito forte para impedi-la. Foi o que aconteceu com o Conselho Federal de Jornalistas. O lobby foi tão violento, manipularam de tal maneira a opinião pública que não tivemos chance de reverter a situação.