A circulação média diária dos jornais brasileiros vem aumentando nos últimos anos: 5% em 2008, 11,8% em 2007 e 6,5% em 2006 (sempre em comparação com o ano anterior). Atingiu 4,14 milhões de exemplares. No entanto, quando se trata de olhar os dados relativos, que levam em conta o número dos que compram jornais diariamente por mil habitantes, o Brasil continua tendo um desempenho abaixo de sofrível: enquanto no México compra-se diariamente 148 exemplares por mil habitantes (nos Estados Unidos são 241 e no Reino Unido 335), no Brasil este número cai para 53 (dados do IVC e da Associação Mundial de Jornais, publicados em 29/janeiro pela Folha, na pág. B11).
Segundo reconhece o diretor-geral do IVC, Ricardo Costa, ouvido na matéria, o crescimento do número de leitores no Brasil se deve ao crescimento econômico no último período. Podemos dizer, portanto, que se trata de um crescimento vegetativo. Não é fruto de qualquer ação voltada para uma mudança efetiva na realidade econômica, social e política do país que está na base de um índice de leitura de jornais tão diminuto.
Uma das coisas que precisa acontecer é, sem dúvida, o aparecimento de jornais com propostas e linhas editoriais diferentes do que temos hoje no país. Podemos dizer com tranqüilidade que, apesar das diferenças entre si e de uns usarem “jeans” e outros “black tie”, a linha editorial seja dos jornalões do eixo Rio-São Paulo, seja dos maiores jornais regionais, os ditos “populares”, é sempre conservadora, Mas, evidentemente, é preciso mais do que isso para mudar o quadro aqui apontado.
Trata-se de um bom debate a ser feito entre nós, jornalistas.
Uma curiosidade: o segundo jornal em circulação no Brasil não é nem o Globo, o Extra ou O Estado de S. Paulo. É o “Super Notícia”, de Belo Horizonte. Trata-se de um jornal “popular” cuja circulação aumentou 27% no ano passado.
Vejam o que diz a Wikipédia em sua edição brasileira sobre o jornal:
“O Jornal Super Notícia é um jornal publicado na cidade de Belo Horizonte, Brasil. É editado pela Sempre Editora. Foi lançado no início do ano de 2002. Tem o formato tablóide é e de linha popular.
Segundo os números das auditorias do IVC, era o oitavo maior jornal do Brasil, considerando sua circulação média no ano de 2006 de 117.800 exemplares nas edições dominicais, já a circulação diária era de aproximadamente de 300.000 exemplares em 2007, segundo o Instituto Verificador de Circulação.[1] É também o maior jornal de Minas Gerais, suplantando o periódico Estado de Minas que, com base nos dados do IVC também, era o 14º jornal do País em circulação, com 113 mil exemplares nas edições dominicais.
A linha editorial do Super Notícia é voltada, principalmente, para as consideradas classes C e D, sendo vendido a preço popular (R$0,25). Esportes, serviços à comunidade, noticiário de polícia e cidades e o mundo das celebridades são os assuntos mais explorados pelo tablóide.”
Pois bem: a circulação média diária do dito jornal foi de 303.087 no ano passado. Ficou atrás apenas da Folha, que teve 311.287.
Talvez os colegas de Minas possam dizer algo mais sobre o jornal. Por exemplo, como são tratados seus jornalistas? Qual é a sua linha editorial? Seria mais para o popular ou o popularesco? Sai sangue ao espremer, como o Última Hora foi durante algum tempo aqui em São Paulo?
Para quem quiser consultar os dados da matéria na Folha de S. Paulo, aqui vai o link:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u495850.shtml