“Até onde estamos sabendo, o que deixou de existir foi a exigência do diploma para o exercício da profissão, portanto, as ‘palavras do sábio jurista’, ainda soam como ‘palavras aos porcos’ (...) assim, as demais prerrogativas continuam em exercício para a profissão de jornalista...”
Essa é a posição do jornalista; professor da Faculdades Adamantinenses Integradas, FAI; pesquisador da Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional; Diretor Regional do SJSP/Regional Oeste Paulista (Presidente Prudente-SP) e membro do Portal do Autor,
Sérgio Barbosa.
Barbosa fala sobre o mercado de trabalho, luta pela regulamentação da profissão, a situação do interior do estado e a precarização profissional. Confira:
Autor: O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo e com a sinergia nas redações sob o pretexto da crise e queda da receita publicitária, as vagas se tornam cada vez mais escassas. Com a decisão do STF, a atual configuração das empresas tende a mudar? Os não diplomados podem tornar-se a regra?
Barbosa: Neste caso em pauta, entendo que o tempo vai determinar quais serão as novas exigências das empresas para o futuro do jornalismo em meio aos desencontros entre formação acadêmica e qualidade profissional.
Quanto aos "não diplomados" no mercado, espera-se que "os diplomados" possam fazer a diferença no mercado “glocal”, ou seja, do global para o local.
Autor: No interior é comum ver não jornalistas trabalhando em jornais, revistas, assessorias, isso poderá fazer o piso da profissão se tornar teto, ou mesmo diminuir, visto que não há a exigência de ensino superior?
Barbosa: No interior, creio que a situação tende a complicar por meio da precarização dos "não diplomados", tornando-se uma regra nas empresas de pequeno porte ou em cidades com menos de 100 mil habitantes. Portanto, neste contexto plural para o jornalismo, a exigência será pelo "custo mínimo do benefício", porém, quem vai pagar pelo resultado desta "precarização profissional" será a comunidade...
Autor: A luta pela valorização da profissão era conduzida pela Fenaj no sentido da defesa do diploma. Como os alunos estão encarando este processo? Qual a orientação agora tanto por parte da faculdade quanto dos professores nesse sentido?
Barbosa: Minha resposta neste caso será como Diretor Regional do SJSP/Regional Oeste Paulista, a saber:
A luta continua através das atividades desenvolvidas pela FENAJ por meio das ações sindicais dos Sindicatos Profissionais dos Jornalistas em todos os estados, visando desta forma o fortalecimento da formação acadêmica para o exercício da profissão de jornalista no mercado midiático.
Autor: A queda do diploma levou consigo também o MTB, que segundo o ministro Gilmar Mendes não pode mais ser cobrado. Essa desregulamentação traz que tipo de conseqüência para a sociedade e para os profissionais?
Barbosa: Até onde estamos sabendo, o que deixou de existir foi a exigência do diploma para o exercício da profissão, portanto, as "palavras do sábio jurista", ainda soam como "palavras aos porcos" como afirma o livro sagrado dos cristãos, assim, as demais prerrogativas continuam em vigência para a profissão de jornalista...
Autor: Estão em tramitação duas Propostas de Emenda Constitucional, PEC para tornar obrigatório o diploma para o exercício da profissão, uma no senado, e outra no congresso. Como vê esse processo? Ele poderá passar pela bancada da mídia?
Barbosa: No caso das duas emendas, bem como, das outras articulações políticas por meio do legislativo neste confronto com os "donos da comunicação", pode-se esperar todas as armações abertas, bem como, as fechadas por meio das negociatas escusas que a política tupiniquim exerce nestes casos...
Autor: Cogita-se que esta discussão poderá ser levada à Confecom, acha que a sociedade está esclarecida quanto a essa questão, a ponto de encampar a luta dos jornalistas pela regulamentação da profissão?
Barbosa: A sociedade se manifestou por meio da uma pesquisa de mercado com relação à exigência do diploma para jornalista com mais de 70% de aprovação ao diploma, porém, tais manifestações foram ignoradas pelos "sábios da suprema corte", assim, espero que a realização da Confecom possa abrir este canal entre ambos os lados para uma reflexão teórico-crítica sobre a importância do jornalismo por meio da formação acadêmica para o exercício da profissão no mercado.