Da Redação
“Não sei se a obrigatoriedade do diploma é o melhor caminho, mas precisamos de regras e de um organismo como a OAB, capaz de credenciar os que podem exercer a profissão”.
A jornalista, professora do laboratório da Universidade de Brasília, UNB e integrante da comunidade Portal do Autor,
Márcia Marques aceitou nosso convite para opinar a respeito do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.
Márcia comenta a criação de especializações em jornalismo para formados em outras áreas, a participação dos alunos da UNB no debate pós-queda do diploma e da necessidade de se criar um órgão que regulamente a profissão de jornalista e cuide da profissão em seus aspectos éticos e técnicos.
Autor: Como você recebeu a decisão do Supremo Tribunal Federal de que a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista fere a Constituição Federal?
Márcia Marques: Eu já esperava esta decisão.
Autor: Há faculdades que estudam criar um curso técnico de jornalismo para profissionais de outras áreas que queiram atuar como jornalistas. Como vê esse processo?
Marques: Há alguns professores aqui da UNB que defendem a criação em algum curso, na pós-graduação, de especialização. Creio que não ser obrigatório o diploma não dispensa sua necessidade. O maior problema é que o exercício do jornalismo ficou sem qualquer regra e, ao contrário do que o ministro Gilmar Mendes afirmou, e vários ministros acompanharam no voto, esta profissão mexe diretamente com a vida das pessoas.
Autor: Há a tendência de os cursos se voltarem mais para a prática (o mercado) do que para a teoria?
Marques: Nós vamos continuar buscando o equilíbrio entre as duas coisas, creio que este é um bom caminho.
Autor: Qual foi a reação dos alunos? Muitos estudantes em todo o país estão se mobilizando junto com os sindicatos para protestar, e alguns pedem, inclusive a saída do ministro Gilmar Mendes do STF, em Brasília há alguma mobilização? Estão debatendo esta questão?
Marques: Nossos alunos têm acompanhado, tanto que no site do campus online (
www.fac.unb.br/campusonline), produzido por nossos alunos de 5º semestre, foi criada uma editoria de comunicação onde o assunto tem sido debatido e acompanhado com bastante atenção.
Autor: Como vê o futuro? Acredita que seja necessária a regulamentação da profissão? De que maneira esta poderia se dar no seu entender? Alguns parlamentares estão apresentando projetos (PEC e PL) para voltar a obrigatoriedade do diploma. Você considera que esses projetos podem passar pela bancada da mídia?
Marques: Não sei se a obrigatoriedade do diploma é o melhor caminho, mas precisamos de regras e de um organismo como a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], capaz de credenciar os que podem exercer a profissão. O jornalismo tem todo um campo de referencial acadêmico, é uma ciência social aplicada, por isso, necessidade de profissionais especializados independe da decisão de ministros que vêem o jornalismo, como bem pontuou o professor Venício de Lima, como uma atividade do século XIX.
Autor: Por que os aspirantes à profissão ainda devem fazer faculdade de jornalismo?
Marques: Para exercer a profissão em toda a sua extensão, e não apenas para escrever para jornal.