Da Redação
A necessidade de expor coisas erradas e certas, de alertar, informar, explicar, levou a estudante
Caroline Anze, a querer ser jornalista: “Se minhas palavras plantarem uma semente apenas de racionalidade, ou de emoção, então terá valido a pena”.
Caroline cursa o último ano do curso de jornalismo das Faculdades Adamantinenses Integradas, FAI. E ainda que soubesse que o diploma deixaria de ser exigido para o exercício da profissão, faria o curso, por entender que não é por esse motivo que ele perde a importância que sempre teve.
Quanto às mobilizações que vem ocorrendo em todo o país, Carolina pondera que nem todos estão ativos nesta discussão: “Aqui, os alunos pensam apenas no seu emprego, com o salário abaixo do estabelecido, vivem o tempo do ‘agora’, não se importam com toda a categoria de jornalistas”. Leia sua entrevista:
Autor: Estudantes em todo o país estão se mobilizando para protestar contra a decisão e até contra o ministro Gilmar Mendes. Ao mesmo tempo, a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação) se manifestou favorável à queda do diploma (apesar de serem contrários aos argumentos do ministro). Como esta questão está sendo discutida na sua faculdade? Os alunos estão ativos neste debate?
Carolina Anze: Aqui na minha faculdade, os alunos estão alheios tanto quanto a isso, quanto a muitos assuntos nacionais e até locais de suma importância histórica e social. Os dirigentes querem ainda nos dias de hoje súditos menos engajados, alienados e ignorantes em questões éticas e técnicas. A verdade é que cada um está preocupado, por aqui, com seu emprego, com o salário abaixo do estabelecido, vivem o tempo "agora", e não se importam com toda a categoria de jornalistas.
Autor: A discussão que vem sendo feita é como ficará a questão da regulamentação da profissão, já que segundo o ministro Gilmar Mendes, o MTB já não pode mais ser exigido para as atividades jornalísticas. Assim, qual deve ser o papel dos sindicatos, dos estudantes e das escolas a partir de agora?
Anze: Penso que os sindicatos devem regularizar a entrada dos profissionais no mercado de trabalho. Já os alunos, devem adquirir uma consciência filosófica-social do meio, ou seja, aprender a criticar e agir mais. Houve um tempo em que se indignar era preciso para mudanças [ditadura militar], mas hoje ainda o é. Os jovens parecem estar alheios a isso porque com a ocorrência da tecnologia, ficam em casa no computador, onde têm acesso a notícias sem sequer tirar os pés do lugar e colocá-los em caminhada para um objetivo comum e comunitário. Agora, o que deveria ser pauta nas escolas é a introdução de consciência crítica nos alunos, porém, isso tem que partir hierarquicamente dos coordenadores dos cursos em questão e até mesmo da faculdade,s e esta realmente se interessar na melhoria profissional e ética dos alunos.
Autor: Duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC) foram protocoladas nos últimos dias. Uma no senado, outra na Câmara dos deputados para exigir que o diploma de jornalista volte a ser obrigatório para o exercício da profissão. Acha que a categoria está mobilizada a ponto de aprovar essas propostas? E a população? Está devidamente esclarecida deste processo?
Anze: É preciso levar em conta que uma emenda constitucional deve passar pelo crivo dos políticos que elegemos e por desordens na própria casa do senado e afins, eles travam guerras entre si, sem se importar conosco. Os meios midiáticos compostos pelos conglomerados de empresas detentoras do poder tentam alienar a população, não esclarecendo realmente os fatos, e sem demonstrar o alcance dessa bestialidade cometida pelos ministros e pelas palavras do “gourmet” Gilmar Mendes.