Vanessa Silva
Com a democratização do acesso à Internet no Brasil, que ainda está em curso e tem longas etapas a serem cumpridas, as redes sociais ganham cada vez mais espaço na disputa pela audiência dos internautas, não só aqui, mas em todo o mundo.
Segundo pesquisa realizada pela ComScore, empresa que mede a audiência online na internet, em maio de 2009 mais de um bilhão de pessoas maiores de 15 anos acessaram a rede, em todo o mundo. Dois terços acessaram ao menos um sítio de relacionamento pessoal. O Brasil é um dos países nos quais os internautas passam mais tempo em redes sociais.
Para testar esta nova possibilidade, em janeiro deste ano, a
Apijor resolveu implantar uma comunidade virtual, baseada na plataforma Ning, o
Portal do Autor. Até o fechamento desta edição, a comunidade tem 498 membros, o que é um resultado interessante visto a especificidade dos temas que nela são discutidos: direitos autorais e temas relacionados ao jornalismo e à comunicação.
Inspirada na experiência do Portal do Autor, a jornalista
Cristiane Machado, participante do Portal, criou uma comunidade também baseada na plataforma Ning, com o objetivo de aproximar sua empresa, a “Verbo e Ação Projetos de Comunicação”, dos clientes.
Entrevista com Cristiane Machado
Portal do Autor: As redes sociais estão em expansão. Segundo estudo da empresa Universal McCann, 63% dos usuários ativos na internet já criaram perfil em alguma rede social. Como surgiu a ideia de criar uma comunidade Ning para divulgar as ações de sua empresa?
Cristiane Machado: O objetivo da Verbo e Ação Projetos de Comunicação é desenvolver um trabalho de Gestão da Comunicação, no qual o conteúdo é muito valorizado. Por este motivo escolhi a ferramenta Ning em detrimento de um site convencional, pelo fato de esta ferramenta ser mais interativa e unir diversas possibilidades (fórum, chat, blogue, etc). A ideia surgiu da vontade de criar sinergia entre as pessoas e de fomentar a troca de informações a respeito dos temas: sustentabilidade, empreendedorismo e gestão da comunicação.
Autor: Há algum tempo você participa da comunidade do Portal do Autor, de alguma maneira ela influenciou na sua opção pela plataforma ning ou mesmo contribuiu para sua ideia de criar um espaço interativo para seus clientes?
Cristiane: Sim. Conheci a plataforma Ning em 2007, porem ela era muito básica, não me interessando neste primeiro contato. A reencontrei pelo Portal do Autor e pelo portal da AACD, reconheci, em ambas, ótimos exemplos de implementações de gestão de comunicação no meio virtual, então, escolhi a ferramenta como suporte.
Autor:A postura de um participante de rede sociais é diferente do internauta “comum” que navega pela internet, porque ele é convidado a se expor, a demonstrar posições, opiniões, e até um pouco de sua privacidade. Assim, por que uma comunidade e não um sítio convencional? A interatividade pode fazer a diferença no marketing da empresa?
Cristiane: Avalio pela ótica da gestão da comunicação - minha área de especialização - não pela do marketing. Quanto à participação: sim, as pessoas querem dar sua opinião, contrária ou a favor, elas querem se expressar. Neste sentido as redes sociais atendem a este desejo dos internautas.
No caso da minha empresa, especificamente, seu objetivo é gerar dialogo, compartilhamento de informações, sinergias, então, por isso a escolha de uma rede, não um site convencional. A escolha por uma comunidade foi justamente para unir pessoas com interesses comuns, interessadas nos temas propostos ao ponto de gerarem sinergia entre elas, um site é como uma peça de divulgação, a comunidade um compartilhamento.
Acredito que a interatividade faça diferença na postura da empresa, uma vez que, o grande problema hoje é conciliar o discurso à prática empresarial. Neste sentido, a interatividade faz toda a diferença, pois aproxima a empresa de qualquer uma das partes interessadas (ou stakeholders). Se isto for levado a sério, é muito rico em termos de inovação e renovação da empresa. Gera diálogo, compreensão, relacionamento. Entretanto, se for considerado apenas como mais um canal de venda, perde-se um pouco a gama de possibilidades de troca.
Autor: Como está sendo adesão a esta ferramenta? A comunidade é voltada para que tipo de público?
Cristiane: A adesão está sendo conquistada aos poucos. Percebo que existe o interesse nos temas e também a dificuldade de as pessoas utilizarem a ferramenta, muitos conhecem só o email. Então, é necessário ter um trabalho de apresentação da ferramenta para que ela seja usada. Um ótimo exemplo disso é o 'manual' que o Portal do Autor fez para os seus usuários, pedagógico e providencial. A comunidade que desenvolvo é voltada para pessoas interessadas nos temas sustentabilidade, empreendedorismo e comunicação, além dos temas suporte para estes três principais.
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