Nesta segunda feira, dia 30 de Março fui assistir a uma apresentação do portfólio de duas grande fotógrafas, Cristina Vilares e Marlene Begamo.
A apresentação foi uma iniciativa da ARFOC.
Depois que todas as fotos foram projetadas num telão, ambas se colocaram à disposição para perguntas e comentários. A conversa acabou dirigida para a questão da democratização da informação e resvalou na participação da população como repórteres e fotógrafos do dia a dia de suas comunidades.
Curiosamente no dia seguinte, sintonizado na CBN, ouvi a notícia de que um cidadão tinha postado num blog da emissora uma série de fotografias que ele fez, mostrando crianças que são usadas por adultos para pedir esmolas nos sinais de trânsito.
Há, evidentemente um mérito na atitude deste cidadão que dedicou parte desse tempo a registrar e criar uma denuncia visual do fato mas me pergunto se ele, além de agir como fotógrafo agiu como cidadão e comunicou ao conselho tutelar ou a algum orgão de defesa de menores, sobre o que estava acontecendo. Não será possível que, mais que denunciar, este cidadão estivesse querendo ver suas fotos no blog da emissora ?
Não é contudo essa a discussão que pretendo neste fórum. Minha intenção é falar sobre este novo espaço da cidadania, deste incentivo ao repórter cidadão e particularmente ao repórter fotográfico cidadão, que está sendo promovido por provedores de acesso à internet, jornais impressos e online e até por rádios.
Uma das fotógrafas, que é contratada por um jornal, defendeu essa chamada democaratização. A outra, que é free lancer, pareceu-me menos entusiasmada.
Isso era de se esperar. O reporter cidadão não ameaça, pelo menos por enquanto, quem é contratado mas diminui a participação do free lancer no mercado de trabalho. No jornal O Estado de São Paulo um fotógrafo foi contratado para administrar esse material enviado pelos leitores. Portanto, para este felizardo, quanto mais foto feitas pela população chegarem, mais garantido está seu emprego.
Com o tempo, entretanto, esse vento pode soprar em outra direção. Por que um editor de jornal vai arriscar o carro e o equipamento do jornal e a própria saúde do fotógrafo para cobrir uma enchente em algum bairro de São Paulo, ainda mais sem ter a certeza de que será possível trazer uma boa foto, se ele sabe que basta esperar um pouco para que alguns cidadãos que moram na região, mandem essas imagens pela internet, sem custo ou risco para o jornal.
Para concluir esse início, quero declarar que considero importante, assim como o que fazem as rádios comunitárias, que cidadãos comuns possam divulgar o que os emploga e incomoda, o que dá certo e o que está errado em seus bairros ruas e escolas.
O que me preocupa é o uso que os meios de comunicação possam fazer dessa atividade para diminuir custos e aumentar lucros.