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Estava justamente conversando com um amigo fotógrafo, que a situação do repórter fotográfico e da fotografia de imprensa no Brasil, está a cada dia ficando pior.
Com os baixos salários, desemprego, a existência da pessoa jurídica nos departamentos de fotografia e a total banalização no uso da imagem na imprensa (até mesmo na imprensa sindical), só nos restar fazer fotos de risco de vida para garantir o dia-a-dia. Fotografar assalto a banco, subir o morro na hora do tiroteio e por aí vai. Só assim teremos a certeza que não haverá perigo de ter alguém com uma câmara digital qualquer ou com um celular fazendo fotos, porque aí o bicho pega. É tiro para todos os lados.
Ontem estava dando uma espiada no blog PicturaPixel, olha a informação que encontrei: CRISE GANHA FOTO DO ANO - Anthony Suau, vencedor do prêmio de Melhor Fotografia na 52ª edição do World Press Photo com um trabalho publicado ne revista Time, em março, está "há dois meses sem trabalho", revelou em declaração ao DN o fotógrafo norte-americano.
Bom! Pelo menos dar para ganhar um prêmio importânte. Ufa!
Saludos indígenas,
Jesus Carlos

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Respostas a este tópico

Que situação Jesus !
Triste constatação esta. Nós fotógrafos estamos quase virando papa defuntos e ganhando dinheiro com a desgraça e a morte alheia.
Mas eu percebo uma situação ainda pior, causada evidentemente pelos salários baixos e oportunismo de quem compra uma câmera digital, ainda que uma chamada "profissional" ( como se profissional fosse a câmera )
Dei uma olhada nas fotos dos desfiles das escolas de samba publicadas nos sites dos dois maiores jornais dessa cidade de São Paulo. Não vi nenhuma que me fizesse desejar te-la feito. Ao contrário, a maioria não passaria numa "auto-edição", caso eu as tivesse feito. Não vi composições cuidadosas, expressões da empolgação de quem está na avenida. Não vi fotos de verdade como as que saiam na Manchete, no Cruzeiro, quando se fotografava o Carnaval e não só as destaques e as rainhas da bateria
Parece que o pessoal de hoje não é treinado para fotografar e sim para apertar o botão de disparo das câmeras.
Conheci alguns fotógrafos que nunca tinham fotografado com filme. Um deles me falou de um professor de fotografia cujo conselho era apertar o botão de disparo sem parar.
É isso: Se de um lado há mini câmeras e celulares que levam uma hora entre o instante em que você bate a foto e o instante em que ela é gravada no cartão de memória, do outro há "profissionais", com câmeras também "profissionais" apertando o disparador como se ele fosse o controle de um video game de ação. Não tem mais filme ! Nem o fotógrafo e muito menos a editora, vão gastar R$ 200,00 ou R$ 300,00 para revelar aquele material. Então manda ver ! Quanto mais fps melhor ! Depois elas vão para o site ou para o jornal "em tempo real". Umas estão esverdeadas outras amareladas. Umas escuras e outras estouradas. Mas está tudo bem, tudo isso é fotografia digital.
Não me leve a mal, hoje é Carnaval.

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