Bem, vou "me iniciar" neste portal relatando resumidamente a experiência pela qual passei na área do direito autoral. Certa vez, início dos anos 2000, trabalhei para a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de SPaulo) como redatora e revisora de um livreto mensal que continha informações sobre todos os concertos do mês. Esse livreto ainda existe e é vendido na entrada de cada concerto. Nessa publicação, eu assinava uma coluna chamada "Perfil", em que entrevistava os músicos da orquestra e os apresentava ao público frequentador dos concertos. Essa página era a única daquela publicação que continha textos bem descontraídos e, portanto, personalizados, pois todo o resto da publicação era feita numa linguagem rígida, dura, maçante e por vezes técnica demais, o que, na minha opinião, desestimulava o leitor. Mas pelo menos na coluna "Perfil" eu podia ser eu mesma. Bem, eu estava contratada pela Fundação Padre Anchieta, que na época mantinha os contratos também dos demais funcionários da Osesp. Trabalhei um mês... e não recebi o salário. Trabalhei o segundo mês... e não recebi o salário. Trabalhei o terceiro mês... e não recebi. No quarto mês chutei o balde e fui embora. Detalhe: eu fazia todo o trabalho, o livreto inteiro, usando minha própria infraestrutura caseira (computador, fax, telefone, papel, caneta...). Um belo dia, anos depois que eu tinha saído dessa instituição, me deu vontade de entrar no site da orquestra pra rever meus textos. E aí... SURPRESA: meus textos estavam lá, sem nem mesmo uma vírgula modificada. Só que assinados por outro jornalista (um tal Marcos Fechio). Inconformada com a cara de pau do fulaninho, procurei o Sindicato dos Jornalistas e, orientada pela dra. Silvia Nely, entrei com um processo de direito autoral. Entretanto, há alguns meses ela me informou que o juiz julgou que esse processo não é de direito autoral e sim trabalhista. Não me conformo até agora com isso. Que juiz é esse? Para mim ficou claro que ele quis desviar meu processo para outras esferas para proteger a imagem da Osesp e da Fundação Padre Anchieta. Até porque, ficaria muito chato para uma instituição como a Osesp reconhecer que "sim, copiamos seus textos e assinamos com outro nome embaixo". Alguém quer comentar?