Caros amigos
Quero comartilhar com vcs esse texto, muito polêmico, do Gabriel Perissé que defende a idéia de "Plágio Criativo". No meu ponto de vista, esse texto trás pontos que até são aceitáveis, concordo com alguns apontamentos dele, mas sinceramente, não compartilho com ele da idéia de que podemos "plagiar criativamente" obras alheias, creio que estimular essa prática, que já foi ( e talvez ainda seja) muito utilizada, é um retrocesso nos avanços de proteção aos direito do autor.
É fato de que a gênese criativa não poderá ser recriada, mas o bom autor inova e busca em suas fontes, formas de expressão que deverão ser originais. Nos inspirarmos em outros, não quer dizer que deveremos plagiá-los, mesmo que criativamente...
Gostaria de saber a opinião de vcs sobre esse assunto.
Abraços
Patrícia Mello
Gabriel Perissé
Doutorando em Educação pela FEUSP
www.perisse.com.br
Ler o texto na ítegra:
http://www.hottopos.com/videtur18/gabriel.htm
Trechos extraído do texto: “Conceito de Plágio Criativo” do autor:
(...)Originalidade é o que se faz novo aos nossos olhos, com novas coerências, novo atrativo. Uma pessoa original é aquela que está sempre nos surpreendendo pelo fato de ser uma pessoa. Uma pessoa original é aquela que traz a marca da evolução contínua, da insatisfação consigo mesma, e da busca de maneiras novas de dizer o que todos já sabiam.(...)
(...) O conceito de plágio é um conceito relativamente novo. Na Idade Média, as “leis da imitação” permitiam e estimulavam a busca de um exemplum, de um modelo do passado que servisse de base para fazer algo de novo com o antigo, mesmo que depois todos pudessem perceber ali, na obra realizada, mais o antigo do que o novo.(...)
(...)Na verdade, o escritor que procura, desesperadamente, dizer o que antes jamais se disse não conseguirá atingir esse objetivo, mesmo que se isole do mundo, e não leia mais nada, e não converse com mais ninguém. Desconhecer o que já foi feito será a única forma de iludir-se, de pensar que é totalmente original, que nada deve ao passado e... ao presente. Contudo, não conseguirá evitar, afinal, que em seu texto sejam identificáveis o pouco que leu ou ouviu em sua vida e, sem querer querendo, acabou imitando.
Se você quiser ofender um escritor com essa obsessão pela originalidade, diga-lhe que é um plagiador, que aquela passagem no seu texto é muito parecida com o que você leu em outro autor. Estamos às vezes de tal forma obcecados pela idéia de que a originalidade consiste em fazer coisas absolutamente novas, que mal nos damos conta de que também não é nem um pouco original pensar assim, na medida em que muitos pessoas “originais” vivem pensando que são originais!
Eu defendo, porém, o plágio criativo, com o qual “roubamos” da seara alheia (de autores conhecidos ou não) algo que pode tornar o nosso trabalho mais fértil e promissor. Mais ainda: devemos ser tão bons ladrões que ninguém perceba que fizemos com o alheio algo melhor. O plágio criativo perfeito é quando o roubo é seguido de assassinato, e nem precisamos citar a vítima, cuja alma absorvemos e cujo corpo escondemos dentro do nosso próprio texto.
O plágio criativo é uma imitação inteligente de versos e metáforas, de idéias e frases, de resultados e conclusões de outros autores, e, devo esclarecer, esse processo criativo é utilizadíssimo pelos grandes escritores, que são ao mesmo tempo grandes leitores e descobriram o óbvio: nada existe de novo sob o sol... frase que o autor do Eclesiastes deve ter copiado de algum outro escritor.(...)