Eu tinha uma passarinha chamada Tina, quando a ganhei, como macho, chamei de Tom.
Tina era um canário belga que já se chamou de Tom, pôs seus primeiros ovos e passou a se chamar de Tina, fiquei decepcionado com ela e a dei para minha mãe. A decepção que teve ao ser regeitada foi tão grande que me deu uma lição que guardo até hoje, tanta atenção que minha mãe dava a ela e não era suficiente, sua missão era em muito maior valor do que o desprezo, mostrar que quantos são ignorados e quantos desprezados, são superiores. Muitas críticas ouvi por mantê-la na gaiola, em argumrentação a verdade falava: e que ela havia já nascido em gaiola e que sua espécie na natureza seria presa de predadores naturais, e presa, a predadores frios e calculistas de fins comerciais.
Quando visitava minha mãe, me aproximava de Tom que botou 9 ovos e virou Tina, ela vinha para perto em seu puleiro e ficava me observando até que um dia, encostei a cabeça e deixei por cinco minutos, até que veio a puxar meus cabelos, com o tempo se tornou um hábito, e Tina vinha para mim, mostrar seu carinho, daí veio para o braço, veio para o ombro, e veio para ficar comigo. Quando abri meu comércio, poucos clientes entravam. Tina, ficava do lado de fora, com a gaiola no chão, na calçada, e ela ficava livre em uma pequena floreira, sabia que estava lá, e voava, e não tinha asa cortada, e ela cantava, e queria um macho, pois fêmea não canta, e Tina cantava, e Tina era um show..
Tina mostrou seu valor, seu valor teve para todos que a conheceram. Aos poucos que passavam por esta rua, pouco movimentada, ela chamava a atenção e minha atenção chamavam em dizer que o passarinho fugiu da gaiola, a deixa era inevitável para mostrar os dotes de Tina, pondo a gaiola a sua frente e dizendo para ir para casa, pulava para dentro da gaiola e a maioria entrava e ficava com Tina em seu ombro e que mordiscava seus cabelos, e corria um" frio pela espinha" como diziam com tal emoção. Compravam o Sabolé, o Sabãobão, o Sabombom, comiam o pastel centrifugado de massa com saborrrr e interagiam como era meu sonho.
Tantos alegrou com seu tempo de sobreviver não sendo necessário por ter tudo que queria e mais a atenção de todos, que tanto merecia, nosso tempo em alegria , preenchia dando sempre uma chacolejada em suas penas em sinal de satisfação ao que fazia, pois atenção e carinho, o que tanto precisava, ela também tinha.. Uma chance em vários milhões veio a mim com um significado que entendo hoje, por ser um pássaro de sua raça com características ariscas, pois come uma semente e levanta a cabeça para cuidar, sempre esperta em sobreviver.
Tudo que fazia evoluia e chegou a andar em labirintos que produzia na mesa de jantar com o convite de ir passear, voltava para seu doce lar, pois lá tinha o que lhe pertencia e o alimento.
Tina trouxe a sensibilidade de observar os que não apareciam e quantos valores em seus interiores tinham, e como eram ignorados.. Tina foi embora e eu comecei um trabalho de sensibilização aos valôres individuais e tão ignorados, que tanto precisam de um mínimo de atenção, pois todos estão em seu tempo em sobrevivência. Não somos pássaros e dependemos uns dos outros também em sobrevivência. Somos racionais e lembro em meu trabalho, ou missão que me destino em lembrar, em sensibilizar, em unir, em alegrar, em preencher um espaço vago
ao esquecimento de tanto e de tantos, quanto vale para um todo., Tina me mostrou.