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Abro este debate aqui para que possamos compartilhar experiências, informações (sobre mercado de trabalho) e por que não, as angústias (ou não) de ter que deixar (ou não > mestrado), a faculdade.
Para quem saiu de casa, voltar ou não voltar para a casa dos pais. Entrar ou não entrar no mestrado? Fazer pós-graduação? Procurar qualquer emprego esperar pelo que sempre quis.
O debate está aberto!

palavras-chaves: foca, mercado de trabalho, mestrado, pós-graduação, recém-formado

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Respostas a este tópico

Paz e bem!

Querida Vanessa,

Alguns "profissionais" do jornalismo costumam fazer graça dos focas que, como nós, inspiram-se numa visão romântica da profissão — que, em aspectos gerais, nos desperta a ser agentes transformadores na sociedade, e não meros espectadores. Depois de alguns dias desempregado, eu mesmo me pego questionando a viabilidade de se encarar o jornalismo com tanto "encantamento". No entanto, alguma reflexão mais racional sempre me faz concluir que a determinação em combater as injustiças e em lutar pela construção de um outro mundo constitui a verdadeira essência do jornalista, a sua razão de ser. Talvez muito ingenuamente, acho que alimentar os aspectos românticos é fundamental para o namoro com a profissão.

Um grande abraço a todos.
Pois é, Vanessa. Concordo com o Mateus quando ele diz que alimentar os aspectos românticos é fundamental para o namoro com a profissão. O grande problema é que, muitas vezes, o mercado de trabalho se encarrega de por fim a esse romantismo. É muito triste quando percebemos que nossos valores são diferentes do perfil que as empresas procuram, chato mesmo quando percebemos que não temos (totalmente) as rédeas de nossa carreira, afinal como recém-formados esbanjamos vontade de trabalhar e para adquirir experiência aceitamos proposta que não valem a pena.
Apesar de, no momento, estar desempregada, e ter passado por algumas experiências frustantes continuo achando que são pessoas como nós, que acreditam na essência do jornalismo, são diferenciadas.

Abraços
Vanessa, acho o seu tópico muito pertinente. Quantos não estão fazendo essa pergunta agora? Eu, pelo menos, ando fazendo todos os dias. Poderíamos falar sobre várias coisas dessa nova condição, no entanto, sinto que meus pensamentos estão mais voltados para a idéia da resposta anterior à minha. Portanto, é por aí que vou tentar responder. Concordo com o querido Mateus, também acredito que a essência do jornalismo está nessa determinação em combater injustiças e em lutar pela construção de um outro mundo. Se passamos por tantas experiências (decepcionantes ou não) durante a universidade, durante nossos trabalhos, estágios etc. e continuamos, apesar disso, a acreditar nos aspectos rômânticos da profissão, isso significa muito! É claro que agora sofremos pressão de vários lados, sem ter a universidade, que para mim era um refúgio:
- Ah... Eu sou estudante ainda. Posso pensar!
No entanto, existem muitas coisas erradas no jornalismo, muitas coisas questionáveis. A prática de muitos comunicadores do mercado está longe até mesmo do que eles próprios afirmam como "jornalismo responsável", "jornalismo social", "jornalismo imparcial". Logo, alimentar esse romantismo que nos leva a discutir, criticar, buscar inovações, aprofundar questões, trabalhar por justiça social etc. mostra que estamos muito mais ligados à realidade do que a um sonho maluco (no mal sentido que podem atribuir a um sonho maluco hehe), aliás, o que é a realidade? É um mundo cheio de desigualdades e de pessoas que precisam de ajuda? Ou um mundo onde os direitos básicos da maioria são respeitados? Bem, eu acho que é a primeira opção. Nesse caso, os focas que acreditam nos valores utópicos da profissão devem continuar acreditando neles, porque é disso que a sociedade (insconsciente ou consciente) está precisando: de pessoas que, alimentadas por ideiais, sonhos, tenham coragem de lutar por mudanças, em qualquer lugar que estejam. Escrevo "em qualquer lugar que estejam", porque sinto na pele a necessidade de se ter um emprego. Pessoalmente, acredito que devemos seguir nossos ideais, mesmo que, por exemplo, estejamos trabalhando em uma revista com uma linha editorial contrária ao que achamos correta, mas sem esquecer que isso é pouco e que devemos continuar buscando mudanças muito mais profundas, não só no jornalismo, mas nas nossas ações como um todo.
Bem, acabo de perguntar à Vanessa sem tem limite de idade para entrar neste grupo. Ela riu. Então imagino que não tenha. Aos 57 anos, mais de 30 de profissão, ainda faço perguntas muito parecidas com as que encontrei aqui nos textos do Mateus, da Sheila e da Caroline. O debate que vocês travam me faz lembrar de algumas palestra, ou pedaços de palestras que escutei em escolas de jornalismo feitas por colegas com bastante tempo de estrada, e até mesmo de professores. As falas de muitos profissionais aos estudantes costumam ir nessa direção: deixe de sonhos, menino (ou menina), que "a vida é um moinho, vai transformar suas ilusões em pó". A música do Cartola foi feita para sua filha que caíra na prostituição (li isso recetemente. Não tenho certeza, pois não tive como checar essa informação. Pela letra da música faz sentido. Mas vocês sabem, muita coisa que aparenta ser na verdade não é. Daí a importância de chegar as informações ... Mas aqui, peço essa licença poética apenas para amarrar um raciocíonio). Voltando ao ponto, eu penso o contrário. Acho que é importante ter sonhos e, mais importante ainda, conseguir transformar alguns deles em projetos. Para não ir muito longe, este portal que estamos utilizando aqui é parte de um projeto, a entidade dos direitos autorais dos jornalistas brasileiros, construída por nós nos últimos 10 anos. O sonho é de um jornalismo que ajude as pessoas a enxergarem o que está errado, a combater as injustiças. Para isso, é preciso que o jornalismo seja feito por profissionais que tenham autonomia, que se pautem por uma conduta ética, como está no código de ética da profissão. Estamos concretizando este projeto, aos poucos. Se tivéssemos feito o que boa parte dos colegas e até dos professores dizem que os estdantes devem fazer, talvez estivéssemos em algum cargo de chefia, preocupados, tendo que engolir muitos sapos, olhando os colegas trabalhar em condições não muito dignas, etc. etc. etc. Então, vale a pensa sim batalhar pelos sonhos. Mas é preciso saber que, se não é fácil para aqueles que aderem ao salve-se quem puder desde os bancos da faculdade, é ainda mais difícil para os que pretendem levar adiante seus sonhos. De outro lado, tem coisas muito legais, que fazem tudo valer a pena: encontramos pessoas que têm esse mesmo ponto de vista; olhamos à nossa volta e vemos que estamos interferindo de alguma forma nos destinos da profissão e nos nossos próprios destinos. E temos um sentimento de estarmos do lado certo, no conflito mais geral que coloca os promotores das injustiças e seus auxiliares, e dos que lutam contra essas mesmas injustiças. Será pouco? Acho que não. Por isso me sinto bem acompanhado por vocês que formulam essas perguntas. As mesmas que ando formulando faz tantos anos. É isso. Espero não estar aborrecendo vocês com toda essa arenga. Vão em frente. Abraços.
Paz e bem! Fred, obrigado pelo comentário. Um grande abraço!
Fred, foi muito bom ler sua resposta. Obrigada! Um abraço!
Bom... temos que preservar o sonho, e acreditar que o mundo e o jornalismo podem ser melhores. Será?
Me questiono muito sobre isso. Você passa 4 anos (ou mais) estudando, então vc sai da universidade preparado para o mercado e é jogado em uma jaula de leões.
As empresas pagam mal, exploram até o tutano dos jornalistas, não respeitam direitos trabalhistas, e outros direitos, como o próprio direito autoral, e muitas vezes os colegas são obrigados a exercer funções para as quais não são remunerados (como o caso do jornalista que sofreu um acidente ao dirigir um veículo porque a empresa demitiu o motorista, entre outros vários)... MAS, estas empresas representam a maior parte do mercado!
Sonhar é legal, mas o que sempre ouvi na faculdade foi: "Você precisa comer". E é aí que o sapato aperta!
Onde desenvolver esse jornalismo ideal? Dentro de empresas que oferecem essas condições descritas acima como não-condições de trabalho?
Le Monde, Carta Maior, Carta Capital, Adital, Brasil... são iniciativas de mídia alternativa, ao meu ver maravilhosas e aposto que muitos de nós gostaríamos de trabalhar lá, mas eles também pagam mal, vivem capengando e ainda que não fosse assim, não empregaria todo mundo que sonha com o diferente.
Sonhar na universidade é fácil, ainda que os professores esbanjem pessimismo. Mas aqui fora "a real é outra".
E aí?! O que resta?
Fazer o mais do mesmo? Tentar mudar de dentro?
Não sei, muitos já fizeram e a mudança está lá no editorial da Folha (tida como mais democrática que o Estadão, para a qual a Ditadura brasileira foi uma ditabranda...
Vanessa,

"Aquele que anda de rastros, como um verme, nunca poderá queixar-se de que foi pisado por alguém" (Immanuel Kant)

"A sonhar eu venci mundos" (Fernando Pessoa)

"Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único" (John Lennon)
Muito bom ver as respostas de todos vcs!!! a resposta do fred foi muito útil. Mas gente, a incognita ainda permanece para mim, não consigo entrar no mercado....me chamam pra fazer entrevista para uma vaga de redatora... pelo meu cv é possíve saber que eu não tenho larga experiência. Ai depois recebo a resposta que tenho um belo currículo, mas não fui selecionada... são coisas que desanimam sabe? Adoro demais minha profissão, mas a dificuldade de exerce-la tem emperrado minha vida e acabdo um pouco com a visão romântica!!
Sorte para todos vcs, Vanessão, Mateus e Caroline, meus bixos!!!!
Bjus !!!

Ah, e se souberem de alguma vaga por ai, me avisem, por favor...kkkkkkkk
Olá! É muito triste ver esses forúns parados desta maneira... Mas na tentativa de reaproximar todos, vou dar uma resposta!!

Eu vou me formar no final deste ano (2009). Tenho muitas, milhares e incontáveis angústias.
Descobri que no último ano de faculdade o medo se torna nosso companheiro, rs, e por quê?! Porque temos medo de que nossa tão suada e esforçada luta para o término de nossa monografia seja frustante e que não recebamos a nota que achavamos que mereciamos, e saíamos da faculdade muito abaixo da esperada por nós mesmos. Seria uma decepção, mas creio e torço para que não aconteça, enquanto isso, vou me preparando, físicamente e psicologicamente para isso.
Outro grande medo é que depois de formada não consiga nada na área, deve ser horrível para quem demorou tantos anos para se formar, depois não conseguir emprego algum.
Tenho ambições de fazer pós, e mestrado quem sabe. Ainda não sei em que área específica, mas isso o tempo me dirá, sei que hoje, nessa luta e busca incansável, pelo tão ancioso primeiro emprego é cada vez mais difícil e para isso cada vez mais temos que procurar nos especializar e estudar sempre, para que ninguém nos surpreenda e outra pessoa mais preparada consiga o emprego no nosso lugar.
É Daiane! Infelizmente não tenho uma resposta muito alentadora para te dar!
O medo realmente se torna nosso companheiro quase inseparável no final do curso, mas acho que você não deve ceder uma vírgula sequer a ele. Mantenha-o por perto, mas sob controle. Ele certamente te ajudará se não ceder.
Estou acompanhando um pouco o mercado e sei que as empresas estão demitindo muitos profissionais da escrita nas redações e o setor mais promissor que é a assessoria de imprensa, não sei muito bem se se pode dizer que é jornalismo, mas é regulamentado como tal e é isso que importa!

Bom... Além de demitir o pessoal, essas empresas estão fazendo lobby pelo fim do diploma para exercer a profissão, o que será mais que uma perda, será um dano irreparável à sociedade, no meu ponto de vista, uma vez que ela terá perdido a garantia de um trabalho com ética e integridade, mas esta é outra discussão!
A questão é que o mercado está mal das pernas e é preciso que nós, jovens, tenhamos isso em mente. Não é à toa que dia após dia cresce o número de blogueiros. A independência é uma saída para essa crise do jornalismo, a criação de projetos e propostas inovadoras, que podem ser financiadas com recurso estatal, ao meu ver, também.
Afinal, se quisermos ter verdadeiramente uma imprensa atuante e minimanete independente é necessário que o Estado intervenha e invista (com propaganda oficial) em novas e alternativas mídias!E é nelas que está a saída! A nossa saúda!
Enfim, fiquei aqui lendo as respostas e refletindo com cada um, mentalmente.
Pois, muitas colocações, dúvidas e expectativas, sobretudo da Vanessa, Mateus e Caroline, talvez por serem colegas de sala, talvez por pensarmos e idealizarmos algo de maneira semelhante, também carrego-as comigo. A faculdade é um processo muito rápido, quando vc vê, já acabou e como disse a Vanessa, num passe de mágica, onde a varinha seria o diploma, temos que cair pra vida, construí-la logo, pois agora somos profissionais capacitados, coisa simples: é com esse tipo de pensamento que as pessoas, familiares em geral, vêm dizer.
Porém, principalmente para quem não conhece a área e analisa de fora, a real, como vcs colocaram, é outra. E as negativas começa a aparecer e pulular...

Queria dizer que foi muito bom ler este debate hoje, aqui.
Obrigado a todos!

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