O que há de novo no debate sobre Direito
Autoral (e outros assuntos)
(nº 174 -
13/10/2009)
Destaques
Direitos Autorais
Rede Globo condenada por violação de Direitos
Autorais Paulo Cannabrava Filho
Quem assistiu aos noticiários da Rede Globo neste final de
semana foi surpreendido por uma confissão inusitada contida numa
nota oficial, lida por ordem judicial, em que a Globo foi obrigada
a retratar-se por violação aos direitos autorais.
A Lei é a antiga, de 1973. Foi substituída pela 9610/98 a qual está
em processo de discussão pública para ser modificada pelo Congresso
Nacional. Mas a Globo é a mesma, useira e vezeira de tripudiar
sobre os direitos autorais. Levou 14 anos para conclusão do
processo e a condenação da ré. Isso porque a Globo não quer
obedecer a nossas leis. Condenada em primeira instância, recorreu a
todas as instâncias possíveis, mesmo sabendo que a Justiça, de
acordo com a Lei, seria favorável ao fotógrafo, isto é, ao autor. A
Globo aposta na eficiência de bons advogados e na lentidão da
Justiça para cansar suas vítimas.
Agora, além do esclarecimento público a Globo provavelmente terá
que ressarcir o autor por danos morais e patrimoniais. Se tivesse
obedecido quando da primeira sentença, teria sido barato, ou seja,
uma soma irrisória considerando-se o orçamento da empresa. Como
demorou 14 anos, terá que arcar com juros, multa e correção
monetária.
A Nota da Rede Globo lida nas varias edições do Jornal Nacional e
SPTV segunda edição
“Conforme sentença proferida pelo juiz de direito da 29ª Vara Cível
da Comarca da Capital de São Paulo a Rede Globo de Televisão foi
condenada, nos termos do artigo 126 da Lei 5988/63, Lei dos
Direitos Autorais, a informar o público que na reportagem sobre os
carteiros, transmitida em 26 de outubro de 1995, no Jornal
Nacional e em 27 de novembro de 1995, no São Paulo Já, as
fotografias ali veiculadas eram de autoria de Mário Rui
Feliciani,cujos créditos não foram a ele atribuídos na época não
tendo sido autorizada a transmissão das fotografias pelo autor. A
Justiça determinou que esta mesma nota seja lida três vezes.
Faremos isso amanhã e na segunda-feira.”.
Assista o vídeo:
Democratização da Comunicação
Argentina aprova Lei para democratizar a comunicação no
país Com informações da Ansa Latina e da Telam (Agência de Notícias
da República Argentina)
O senado argentino aprovou, na madrugada do sábado, 10-10, após
20 horas de debate, a Lei do Audiovisual, conhecida como Lei da
Mídia, por 44 votos favoráveis e 24 contrários. O projeto de lei
substitui a atual Lei do Audiovisual editada durante a ditadura
militar (1976-1983). No dia 17-09 a Câmara dos Deputados aprovou o
projeto de lei proposto por Cristina Kirchner.
O projeto foi apresentado pela presidenta em março deste ano. A
partir da apresentação do projeto foram realizados em todo o país
mais de cem fóruns de debate, com a participação de mais de 12 mil
pessoas. No processo de debates foram incorporadas ao projeto cerca
de 200 propostas.
Mudanças
Entre as principais mudanças promovidas pela Lei, que visa acabar
com o monopólio midiático e democratizar a comunicação, estão:
- As licenças de rádio e TV serão divididas em três partes iguais:
uma delas será destinada a emissoras sem fins lucrativos e será
distribuída entre ONGs, igrejas e universidades; outra será
destinada aos veículos estatais e a última aos meios
comerciais.
- Os grupos privados não poderão manter simultaneamente um canal
operando no sistema de TV aberta e outro no de TV a cabo.
- O número máximo de TVs e rádios que uma mesma companhia pode ter
será de dez emissoras e não mais 24, como determina a atual
legislação.
- Serão criados uma comissão bicameral de controle (no Congresso
argentino), o Conselho Federal de Comunicação Audiovisual e o cargo
de Defensor Público.
- Em cidades com mais de 500 mil habitantes as concessões terão
validade de dez anos e não mais de 20, como era até então.
Oposição
A proposta tem o apoio do sindicato dos Jornalistas argentinos, de
diversas Organizações Não Governamentais e movimentos sociais.
O principal opositor e ao mesmo tempo o maior prejudicado com a
nova lei é o Grupo El Clarín, conglomerado de mídia que
domina a maior fatia do mercado comunicacional argentino. O
Clarín afirmou que entrará na justiça para fazer valer
seus direitos porque, segundo afirma, há artigos no projeto que são
inconstitucionais.
No Brasil os grandes jornais fizeram eco ao El Clarín, A
Folha de S. Paulo se manifestou publicamente em editorial:
“Esse golpe rumo à estatização da mídia na Argentina torna-se agora
objeto de batalha nos tribunais, pois empresas afetadas e líderes
de oposição contestam sua constitucionalidade. Mas o governo
Kirchner, com a lei, obteve uma plataforma adicional, ainda que
provisória, para exercer o monopólio da chantagem, do arbítrio e da
intimidação”, critica o jornal.
Líderes da oposição estudam formas de alterar possíveis equívocos
no texto a partir de dezembro, quando os novos senadores e
deputados tomarão posse e a base aliada de Cristina será
minoria.
Jornalismo na USP já atrai 25% menos
estudantes Com informações do Comunique-se
A procura pelo curso de jornalismo da USP caiu 25% em relação ao
ano passado. Segundo a Fundação Universitária para o Vestibular,
Fuvest, responsável pela realização do vestibular da Universidade
de São Paulo, USP, o número de inscrições para o curso de
jornalismo do vestibular 2010, teve uma procura de 1941 candidatos,
a menor da série histórica iniciada em 2005.
Segundo o professor do departamento de jornalismo e editoração da
Escola de Comunicação e Artes, ECA e assessor de imprensa da
Fuvest, José Coelho Sobrinho, a queda na procura se deve à queda da
obrigatoriedade do diploma, decretada pelo Supremo Tribunal Federal
em junho deste ano, o que ocasionou uma desvalorização simbólica do
curso. Ainda segundo Coelho, essa queda também se deve a
desregulamentação da profissão. Ela já era esperada. “Eu imaginava
que cairia mais”, afirmou.
Com o resultado, a carreira de jornalismo na USP passou a ser a
sexta mais disputada. No ano passado, ocupava a terceira
posição.
Futuro dos Jornais
Grandes grupos de mídia querem cobrar pela informação na
internet Com informações do Comunique-se e deCristina
Palmeira/Portal IMPRENSA
Representantes de grandes grupos midiáticos de todo o mundo
sinalizaram que a oferta de informações na rede deve deixar de ser
gratuita. O sinal vem da Cúpula Mundial da Mídia, iniciada na sexta
feira 09-10 em Pequim.
Cerca de 300 representantes de 170 grupos de mídia, entre eles
Rupert Murdoch, dono do maior conglomerado midiático do mundo, a
News Corp., se reuniram para discutir o tema: "Cooperação,
Ação, Benefício Mútuo e Desenvolvimento", com o objetivo de
discutir os fatores que influenciam o desenvolvimento das mídias
mundiais.
Murdoch, que foi pioneiro na cobrança pelo conteúdo do jornal
The Wall Street Journal na internet, declarou que "a
informação de qualidade deve ser paga. É um conceito errado pensar
que deve ser de graça”.
O presidente e executivo-chefe da agência Associated Press (AP),
Thomas Curley, afirmou que a propriedade intelectual dos conteúdos
veiculados na internet deve ser assegurada e esse material deve ser
pago. Para o executivo, as empresas foram muito lentas e reagiram
ao fenômeno internet apenas agora, depois de 15 anos.
Grupo francês cria cartão pré-pago para compra de
jornais
O grupo Nmpp, principal distribuidor de jornais e revistas nos
quiosques da França, está lançando um serviço de cartão pré-pago
para os diários. Mais de 3500 títulos distribuídos, entre eles o Le
Figaro, Le Monde e Libération, terão um desconto entre 17% e 25% do
preço nas bancas.
Os cartões podem ser comprados, ativados e recarregados nos pontos
de vendas de jornais equipados de terminais de pagamento
eletrônico.
A novidade será testada em Marselha até dezembro. Se obtiver
sucesso, poderá ser estendida a todo país.
Conferência de Comunicação
Falta de apoio do governo compromete Conferência
Estadual de São Paulo Com informações do sítio
Carta Maior e Centro de Mídia Independente
A jornalista Luciana Araújo publicou na Agência Carta
Maior um artigo relatando as dificuldades na organização
da Conferência Estadual de Comunicação de São Paulo, Conecom.
Luciana comenta desde a recusa do governador José Serra em convocar
a Conferência no estado, o que foi contornado às pressas pela
Assembléia Legislativa do Estado (Alesp), passando pelo problema de
financiamento para a sua realização, já que, como não foi feita a
convocação, não havia dotação orçamentária específica; até as
disputas em torno do número de participantes no evento.
Para Luciana, boa parte dos problemas encontrados na organização
está no fato de que o governo estadual estar do lado das
associações empresariais, que por sua vez querem esvaziar o debate
da Conferência. “As tentativas empresariais de
controle e boicote à Conecom buscam camuflar o temor de que a
conferência discuta questões como marco regulatório, propriedade
cruzada, legalização da radiodifusão comunitária, controle social,
monopólio, verbas publicitárias e conteúdo”, afirma em seu
texto.
Clique aqui para ler o artigo
1ª Conferência Livre de Comunicação da UnB publica seu documento
final
A Universidade de Brasília, UnB, realizou entre os dias 24 e 26 de
setembro, sua 1ª Conferência Livre de Comunicação. O
documento final do evento está disponível no blogue da
Conferência.
As propostas foram organizadas a partir dos três eixos temáticos
definidos em resolução da Comissão Organizadora da 1ª Conferência
Nacional de Comunicação. São eles:
Produçãode
Conteúdo; Meios de Distribuição;
Cidania:DireitoseDeveres.
Luiz Gonzaga ainda é o mais ouvido em festas juninas Com informações de O Globo
Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição
(Ecad) o velho Luiz Gonzaga e seu baião foram os campeões em
arrecadação de direitos autorais e continuam na liderança das
músicas mais tocadas durante as festas juninas.
Gonzagão emplacou quatro das dez músicas mais tocadas: “Pagode
Russo” (2º lugar), “Asa Branca” (3º lugar), “Olha pro Céu” e “Xote
das Meninas”. O ouro ficou com a música “Quadrilha Brasileira”, de
autoria de Zé Pipa.
Presidente da Apijor em Florianópolis e Porto
Alegre Fred Ghedini
O presidente da Apijor, Paulo Cannabrava Filho, esteve entre os
dias 7 e 9 de outubro em Florianópolis e, depois, em Porto Alegre.
Em Floripa, Cannabrava foi acompanhado pelo conselheiro da Apijor
Hermínio Nunes. Visitou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais
de Santa Catarina, a Associação Catarinense de Imprensa e fez uma
palestra aos estudantes de jornalismo da Estácio de Sá. Com o
presidente do SJSC, Rubens Lunge, debateu a possibilidade de as
duas entidades voltarem a assinar convênio para que os jornalistas
sindicalizados de Santa Catarina possam ficar sob o guarda-chuva
protetor da Apijor em questões ligadas aos direitos autorais.
Em Porto Alegre, Cannabrava esteve acompanhado do
diretor-tesoureiro Fred Ghedini. Ambos participaram de uma reunião
da diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio
Grande do Sul, que mantém convênio com a Apijor. Ao final da
reunião, ficou acertada a realização de um seminário sobre direitos
autorais no próximo ano no RS. O evento deve ocorrer dentro do
Congresso Estadual de jornalistas, preparatório ao próximo
Congresso Nacional de Jornalistas, que será em Porto Alegre,
provavelmente em agosto de 2010. Além do presidente José Nunes e de
outros diretores, participou também da reunião o conselheiro,
representante da Apijor em Porto Alegre e advogado responsável
pelas ações da Apijor junto ao Sindicato do RS, Marco Antonio
Chagas.
Ainda na capital gaúcha os diretores da Apijor encontraram a
integrante do Portal do Autor Patrícia Mello, que é cantora,
ex-dirigente do Sindicato dos Músicos e estudante de direito.
Patrícia participa ativamente do Portal do Autor com muitas
postagens e integra um núcleo específico sobre direitos autorais na
PUC-RS. Ela se comprometeu a ampliar suas iniciativas visando
convidar seus colegas a integrarem o Portal do Autor.
Ao final do dia 9 e antes de voltar para São Paulo, Cannabrava e
Ghedini conversaram com o vice-presidente da FENAJ e principal
dirigente do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação,
Celso Schroeder.
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