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O que há de novo no debate sobre Direito Autoral (e outros assuntos)

(nº 198 - 17/11/2009)

Destaques

Defesa do Diploma

1º Encontro do Fórum Paulista em Defesa do Diploma de Jornalista reúne profissionais, estudantes e professores*
Vanessa Silva

 

O Fórum Paulista em Defesa do Diploma de Jornalista realizou na segunda-feira, 16/11, seu primeiro encontro para debater como andam as Propostas de Emenda Constitucionais (PECs) que tramitam no Congresso com o objetivo de restabelecer a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, conhecidas como PECs dos Jornalistas. 
Estiveram presentes no evento mais de 30 pessoas, entre estudantes, professores, profissionais, representantes de entidades de jornalistas e o representante do deputado federal Celso Russomanno (PP/SP).

A mesa do evento foi composta pelos representantes das seis entidades que compõem o Fórum: Costa Carregosa da Associação Paulista de Imprensa (API), Guto Camargo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP); Paulo Cannabrava Filho da Associação de Direitos Autorais dos Jornalistas Profissionais (Apijor); Amadeu Mêmolo da Associação dos Jornalistas Aposentados no Estado de São Paulo (Ajaesp), Pedro Pomar do Movimento Sindicato é Pra Lutar e Fred Ghedini do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Interesse Público da ECA - USP.

Após a composição da mesa, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade falou sobre o momento na luta pelo diploma a partir da tramitação das PECs no Congresso: “Eu não tinha ideia de que fossemos constituir uma Frente Parlamentar em Defesa do Diploma de maneira tão rápida. Enquanto a Fenaj discutia qual seria o melhor caminho para restituir a obrigatoriedade do diploma, se seria via PEC ou PL [Projeto de Lei], os deputados apresentaram 5 PLs e 3 PECs. Há um interesse supra partidário do Congresso nesta questão”, afirmou.

Mobilização


Apesar do otimismo e da avaliação positiva do processo, Sérgio Murillo alerta para a importância da mobilização. “Há a possibilidade de revertermos a decisão, mas vai depender muito da mobilização da categoria, dos professores, dos estudantes e da sociedade. Não se trata de uma luta corporativa, como dizem. A discussão está relacionada com demandas da sociedade brasileira e da democracia”.

Em suas andanças pelo país, o presidente da Fenaj observou que há muita revolta e perplexidade decorrentes da decisão do Supremo. Para ele, a função do Fórum e dos movimentos que estão surgindo em todo o país é organizar este sentimento e conseguir o apoio do cidadão comum.  Ele ressalta a importância do trabalho de base, do contato com os parlamentares: “tenho certeza de que não temos outro caminho senão apostar na mobilização” diz.

Quem tem interesse?


O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Guto Camargo comentou que no relatório sobre o Brasil realizado na 65ª Assembleia da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) – entidade que congrega magnatas da mídia estadunidense e latino-americana – constam preocupações referentes a algumas iniciativas brasileiras, dentre elas a realização da Conferência Nacional de Comunicação [Confecom] e a possível volta da obrigatoriedade do diploma: “Quando a exigência foi derrubada, eles colocaram no sítio uma congratulação ao Supremo Tribunal Federal”, ressalta.

Para o jornalista Pedro Pomar, representante do Movimento Sindicato é Pra Lutar, quem realmente fere os princípios de liberdade de expressão são os conglomerados de mídia que monopolizam a comunicação no país: “Quem aplaude esta decisão [a derrubada do diploma]? SIP, Folha de S. Paulo e Grupo Abril, que são os mesmos que querem sabotar a Confecom . Por isso, devemos ter em mente que esta é uma disputa política”, explica.

O presidente da Apijor, Paulo Cannabrava Filho complementa: “As grandes corporações estão fazendo um grande esforço para desregulamentar o país: derrubaram o Diploma e querem fazer o mesmo com a CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas] e com os Direitos Autorais”, alerta.

Trabalho do Fórum


Foram criados três grupos de trabalho para dar conta das atividades do Fórum. São eles: Comissão de Articulação, Mobilização e Divulgação – responsável pelo contato com parlamentares, com segmentos da profissão e pela comunicação com a coordenação nacional da campanha; Comissão de Conteúdo – responsável pela produção de material didático para cartilhas, informações e notícias com argumentos e contra-argumentos para enfrentar os opositores do diploma; e a Comissão de Finanças – responsável por conseguir patrocínios e apoios para as atividades do Fórum.

Veja as próximas atividades

Uma das definições adotadas no I Encontro foi que os representantes das entidades e movimentos que integram o Fórum passam a compor sua Coordenação.

Foi marcado para o dia 26-11, quinta-feira, à noite (19h30), na mesma Associação Paulista de Imprensa (rua Álvares Machado, 22, Centro - próximo à estação Liberdade do metrô), a primeira reunião da Coordenação com os Grupos de Trabalho. Na ocasião será feita a agenda para as próximas atividades, que devem incluir panfletagens nos cursos de jornalismo, visitas aos Conselhos Profissionais e outras entidades e movimentos sociais para conseguir adesões, além da realização de debates.

Na reunião poderemos avaliar também o resultado da votação da PEC 33/09, do senador Antônio Carlos Valadares (PSB/CE), na CCJ do senado, a ser realizada na manhã de 25 de novembro. O Fórum está divulgando a orientação para que sejam enviadas mensagens por emeio aos senadores da Comissão por São Paulo. Veja o modelo de carta e a lista de emeios dos deputados aqui.

* Esta notícia foi alterada para acréscimo de informações

Fotos do evento

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Direitos Autorais


Empresas defendem Direitos autorais e Capital Nacional
Com informações da Folha de S. Paulo e O Globo

O Jornal Folha de S. Paulo publicouna segunda-feira (16/11) um editorial no qual reivindica que os Portais na Internet que veiculam notícias tenham controle de 70% de capital nacional, tal como o definido pelo artigo 222 da Constituição Federal para os demais meios de comunicação.

“O acesso sistemático a informações exclusivas, relevantes, bem apuradas e editadas sempre implica a atuação de grandes equipes de profissionais dedicados apenas a isso. Essas equipes precisam ser remuneradas - ou o elo se rompe (...).
Quando um serviço de internet que visa ao lucro toma, sem pagar por isso, informações produzidas por empresas jornalísticas, as edita e as difunde a seu modo, não só fere as leis que resguardam os direitos autorais. Solapa os pilares financeiros que têm sustentado o jornalismo profissional independente”, diz o texto.

Diz ainda o editorial: “(...) produtores de conteúdo jornalístico e de entretenimento no Brasil (...) exigem a aplicação, na internet, das leis que protegem o direito autoral. Pressionam as autoridades para que, como ocorre nos EUA, regulamentem a banda larga de modo a impedir as práticas discriminatórias e ampliar a competição. Requerem ao Ministério Público ação decisiva para que empresas produtoras de jornalismo e entretenimento na internet se ajustem à exigência, expressa no artigo 222 da Carta, de que 70% do controle do capital esteja com brasileiros”.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também se manifestou contra a predominância de capital estrangeiro na internet: “Não é possível que empresas nacionais sejam tratadas de forma muito mais restritiva e rigorosa que as empresas de capital estrangeiro ou majoritariamente estrangeiro. Na euforia que se instaurou com a efervescência da internet, várias empresas estrangeiras simplesmente passaram a produzir conteúdo brasileiro, ignorando flagrantemente nossa Constituição.

Comentário de Paulo Cannabrava Filho


A ANJ está à frente desta campanha, mas as empresas de capital estrangeiro não teriam entrado na comunicação e produção de conteúdo no Brasil se não fosse a atuação da ANJ, que congrega  Folha, Estadão etc., que outrora apoiaram o liberalismo total.

Essas empresas fizeram lobby para derrubar o preceito que atribuía a brasileiros natos o direito de explorar a comunicação. Foi graças aos senhores Rui Mesquita, Otávio Frias Filho e Roberto Irineu que o Congresso aprovou a lei que autoriza a participação de até 30% do capital estrangeiro nos meios de comunicação.

De qualquer maneira, a Apijor entende que é chegado o momento de uma mudança nas relações que as empresas tem com os seus jornalistas nessa questão. Havendo tal perspectiva, é possível lutarmos juntos para salvaguardar os direitos nacionais e cidadãos, como os Direitos Autorais.

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PL-29

Comissão deve votar PL-29 ainda em Novembro
Com informações do Portal da Câmara e de Mirian Aquino do Portal Tele.Síntese

Na próxima quarta-feira (18/11), o PL-29, projeto que estabelece novas regras para a televisão por assinatura estará na pauta da Comissão de Ciência e Tecnologia Comunicação e Informática (CCTCTI) da Câmara dos Deputados. No entanto, o relator da proposta, deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), disse que provavelmente o texto só será votado na próxima semana.

O texto do relator, apresentado em outubro, recebeu 103 emendas na Comissão da Câmara.
Grande parte das emendas refere-se às cotas de programação nacional do horário nobre dos canais pagos. O projeto propõe que sejam exibidas 3 horas e meia por semana de conteúdo nacional independente. Outra proposta estabelece que os atuais operadores de TV a cabo terão que cumprir as cotas de distribuição do conteúdo nacional após 180 dias de aprovação da lei.

O projeto também aumentou o tempo máximo que os canais de TV paga poderão ter de espaço publicitário igualando-os à TV aberta, que pode ter até 25% do seu espaço destinado à publicidade.

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Google Books

Mudanças no projeto Google Books
Com informações do sítio Público (Lisboa)

Desde 2005 o Google está tentando chegar em um acordo com os EUA e a justiça estadunidense sobre o projeto Google Books. Porém, alguns países protestaram e argumentaram que os planos da empresa violavam as leis internacionais de direitos autorais.

Por conta disso, o gigante das buscas elaborou uma nova versão do acordo que garante que só serão colocadas online obras dos EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália.

A intenção do Google, além de digitalizar livros que não estão no domínio público, é também digitalizar obras órfãs (as que não têm autoria identificável). De acordo com a empresa, a ideia é digitalizar e publicar e só depois partilhar lucros com os detentores de direito, caso estes os reivindiquem. Os detentores dos direitos podem também ordenar a remoção das obras. A nova proposta ainda aguarda a aprovação judicial.

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Conferência de Comunicação

Governo quer marco regulatório para setor de comunicações
Com informações do Blog do Noblat e Folha de S. Paulo

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que será realizada em Brasília no próximo mês, já tem pelo menos 59 propostas de mudanças no marco regulatório do setor sugeridas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O pacote inclui a defesa de um marco legal para o direito de resposta e indenização a prejudicados por profissionais e empresas de mídia.

Outra proposta foi para que o governo passe a comprar insumos básicos, como o papel-jornal, para os pequenos jornais.

No geral, as propostas fortalecem os veículos estatais e públicos, incentivam a imprensa regional e criam mecanismos para fiscalizar o setor privado de rádio e TV.

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