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(nº 244 - 08/02/2010)

Destaques

Democratização da Comunicação

Projeto de Lei estabelece limites para a concentração na mídia

Vanessa Silva

 

O Projeto de Lei 6667/09 de autoria do deputado Ivan Valente (PSOL-SP) que proíbe a propriedade cruzada nos meios de comunicação foi encaminhado para a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados no último dia 03 de fevereiro. O PL visa regulamentar o artigo 220 da Constituição, segundo o qual “os meios de comunicação não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.

Para o deputado, o projeto tem relação direta com o exercício da democracia, pois “democracia pressupõe a existência de pluralidade. A existência de pluralidade pressupõe o livre fluxo de informações. E o livre fluxo de informações pressupõe a multiplicidade de fontes, algo que só é possível com uma regulação capaz de coibir a concentração de propriedade que, infelizmente, é bastante comum na comunicação social”.

O projeto


O projeto estabelece limites para a concentração horizontal e vertical dos grupos empresariais de comunicação e proíbe a propriedade cruzada dos meios. Além disso, o PL estabelece que as redes sejam organizadas em um conjunto de afiliadas que não ultrapasse 10% do mercado e devem respeitar a veiculação de no mínimo 50% de conteúdos próprios por seus afiliados.

Só poderão ter concessão empresas que não mantiverem em seu quadro de cotistas, societários ou acionistas, integrantes de empresas que editam veículos impressos, que atuem em televisão por assinatura ou empresas de telecomunicações. O PL proíbe ainda a execução de serviços de televisão por empresa que detenha outorga de rádio no mesmo município de prestação de serviço.

Propriedades


A propriedade horizontal ocorre quando um grupo detém várias operadoras da mesma plataforma. Segundo o professor Venício Lima, pesquisador sênior da Universidade de Brasília, em seu livro “Mídia, Teoria e Política” o melhor exemplo desse tipo de concentração é a televisão: No Brasil, o grupo Net-Sky, da Globo, controla 95% da TV por satélite e abocanha 78% das receitas publicitárias destinadas à TV. O grupo é dominante em todos os critérios de comparação: número total de emissoras (próprias, associadas e afiliadas); cobertura geográfica por municípios e por domicílios e participação na audiência nacional de TV.

Por propriedade vertical, entende-se a cadeia de produção e distribuição controlada por um mesmo grupo. Segundo Lima, a Rede Globo possui os estúdios de gravação de novelas e mantém sob contrato autores, atores e toda equipe de produção. Uma vez produzida, a novela é exibida em sua rede própria de televisão e comercializada para outros países. A trilha sonora é divulgada por meio de sua rede de TV, jornais, revistas e emissoras de rádio, conforme cita Lima.

Já a propriedade cruzada é aquela detida por um mesmo grupo de diferentes tipos de mídia, esclarece Venício. Por exemplo: TV aberta, TV por assinatura (a cabo, MMDS ou via satélite-DTH), rádio, revistas, jornais e, mais recentemente, telefonia (fixa, celular e móvel, via satélite), rádio, jornais, revistas, provedores de internet, transmissão de dados, paging etc.

O grupo RBS, no sul do país, por exemplo, reúne 6 jornais, 24 emissoras de rádio AM e FM, 21 canais de TV, um portal de internet, uma empresa de marketing e um projeto na área rural, além de ser sócio da operadora de TV a cabo NET. Para o pesquisador, esse tipo de propriedade confere a um único grupo e a uma equipe de comentaristas e articulistas um extraordinário poder.

Veja a íntegra do projeto aqui.

Futuro dos Jornais

Federação Europeia dos Jornalistas quer que políticos europeus defendam o jornalismo
Com informações do Público (Portugal)

A Federação Europeia dos Jornalistas (FEJ) quer que os políticos europeus ajudem a combater a crise que atinge o jornalismo no continente. O posicionamento foi definido durante conferência realizada no Parlamento Europeu (PE), em Bruxelas.

O evento reuniu jornalistas, representantes da indústria e políticos. Os presentes destacaram a importância de se criar uma nova relação entre o Estado e a imprensa para encontrar maneiras de estabilizar e apoiar o jornalismo sem comprometer a independência política e a liberdade editorial dos jornalistas.

O secretário-geral da FEJ, Aidan White argumentou que “o jornalismo é um bem público do qual depende a democracia na Europa. Todavia, os políticos são complacentes e Bruxelas tem uma fixação pelas regras de mercado em vez de pensar nos direitos dos cidadãos à medida que a indústria da comunicação enfrenta os desafios de uma grande mudança”.

O deputado do Parlamento Europeu, Jorgo Chatzimarkakis, garantiu que a atual posição do parlamento, de que nada pode ser feito para ajudar a imprensa, vai mudar. A FEJ espera que o diálogo entre as organizações profissionais possam contribuir para criar um debate sólido sobre as políticas para os meios de comunicação.

Conferência de Cultura

Ministro da cultura afirma que texto base da Conferência foi construção democrática
Com informações da Agência Estado

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, rebateu as críticas feitas ao texto-base da Conferência Nacional de Cultura, CNC, que será realizada em março em Brasília.

Jornais como o Estado de S. Paulo, e Folha de S. Paulo divulgaram diversas críticas ao texto base da Conferência, alegando que se trata de uma afronta à “liberdade de expressão”, de “ataques à mídia”, “censura” e até de “volta da repressão”.

Ferreira defendeu a CNC e esclareceu que o ministério não teve nenhum dirigismo na construção do processo. “O que existe é a construção de uma sociedade democrática", afirmou.

O documento diz que "o monopólio dos meios de comunicação (mídias) representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos" e que "os fóruns de cultura e de comunicação devem unir-se na luta pela regulamentação dos artigos da Constituição Federal de 1988 relativos ao tema. Entre eles, o que obriga as emissoras de rádio e televisão a adaptar sua programação ao princípio da regionalização da produção cultural, artística e jornalística".

"Os números da cultura no Brasil são muito ruins. A população brasileira é praticamente prisioneira da TV aberta, a única universalizada. Só seis milhões têm acesso à TV a cabo. Mais de 90% dos municípios não têm um cinema, um teatro. O Brasil se acostumou a ser uma sociedade para poucos", disse Ferreira.

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