Urge partir para a ação
Pronunciado no XXXIII Congresso Nacional dos Jornalistas
Os jornais continuam crescendo. Segundo os proprietários dos meios reunidos em congresso, nesta terça-feira, a venda cresceu 12% no último ano enquanto a tiragem cresceu 25% nos últimos cinco anos.
Gostaria de estar presente a esse congresso – ver o que estão confabulando os novos proprietários dos meios. Mas, não fui convidado. Temos de nos valer do que eles decidem tornar público. Aliás, sempre foi assim... não é?
Esse crescimento representa um paradoxo, pois, nos últimos anos tem sido constatado o aguçamento da crise nos meios tradicionais, notadamente a partir da revolução industrial representada pela convergência tecnológica. Quais os principais efeitos dessa crise? Parece-me ser, entre outras, a troca de donos. As oligarquias estão perdendo a hegemonia sobre os meios. Contentam-se com receber dividendos no final do ano. Fenômeno bem parecido com o que ocorre no meio rural, quando o fazendeiro aluga sua terra para as usinas e torra o dinheiro que recebe no final do ano em bens supérfluos. Na troca de comando que está a ocorrer nos meios assumem os banqueiros ou seus interventores e/ou os executivos das grandes corporações.
Aquilo que foi denunciado em meados do século passado como o grande perigo para a comunicação e para a própria civilização – a concentração do capital na propriedade dos meios, a transformação da informação em produto de consumo. Mais que isso, a transformação dos meios em ferramenta impulsionadora vital para a sociedade consumista, a sociedade do espetáculo, tudo isso ganhou dimensões inimagináveis na atual fase do capitalismo global. Para realizar seus propósitos, para maximizar os lucros, interessa a desregulamentação total do estado na contramão dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Nessa imensa cadeia midiática, cada dia mais hegemonizada pelas grandes corporações, os jornalistas somos o elo mais frágil. Urge encontrar caminhos para o fortalecimento da categoria. Este congresso é o espaço apropriado para essa reflexão.
Penso que os diagnósticos estão feitos e completos. Há excesso de diagnósticos nos meios acadêmicos. Urge partir para a ação. Ação de propor e criar alternativas. Ações que envolvam toda a sociedade na nossa luta pelo império da ética, pois, não é outra a nossa luta senão pelo império da ética quando lutamos pela obrigatoriedade do Diploma, quando reivindicamos o Conselho Profissional, quando reclamamos a ausência de regulamentação da informação e comunicação no país.
Encerrando, além de desejar êxito para o congresso quero homenagear o povo mexicano, na pessoa de Carmen Lira, que tem sabido manter um meio de comunicação como La Jornada, exemplo de que as alternativas são realmente possíveis.
Muito obrigado
São Paulo
Agosto 2008.
Blogue de Paulo Cannabrava Filho
Direitos Humanos e Públicos*
Os direitos fundamentais da pessoa humana estão consagrados em…
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Postado em 21 junho 2010 às 16:19
A primeira vez que ouvi falar em Paula Beiguelman foi através de citações feitas por Darcy Ribeiro que se dizia um grande admirador do pensamento e obra da professora Paula. Depois, só no inicio da década de 1980, tive o privilegio de conhecê-la pessoalmente. Quando recomendo aos jovens leituras que considero indispensáveis para se entender o Brasil, os primeiros autores que cito são precisamente Darcy e Paula. Depois cito aqueles que me recomendavam seja na escola, seja nos grupos de estudo e…
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Postado em 27 agosto 2009 às 11:00
Claro que ninguém responsável numa democracia pode ser favorável a censura. Porém, a questão maior, a que realmente precisa ser debatida, a que causa indignação, é a insegurança jurídica que resulta da atitude servil e venal de setores do Judiciário.
O Judiciário no Brasil, desde os tempos da Coroa, serve a uma só classe, de tal forma insistente que nos habituamos a isso. O mundo mudou, o Brasil mudou, mas, certos setores das elites no poder, não mudaram. Comportam-se como nos velhos…
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Postado em 4 agosto 2009 às 18:55
Em Honduras se repete uma velha receita muito utilizada no século passado e bem provada pelos brasileiros. As elites oligarcas, com os pés no país e a cabeça nos Estados Unidos, articulam seus pares no Congresso e os comandos militares. Os militares dão o golpe e o congresso declara vaga a presidência da república e coloca uma raposa velha no poder e tudo volta a ser como dantes no quartel de Abrantes.
Em 1961 aplicaram a receita no Brasil. Jânio Quadros presidente renunciou, o presidente…
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Postado em 30 junho 2009 às 19:00 — Comentário
Boal queria transformar o mundo. Queria um mundo em que as pessoas pudessem se realizar em todo seu potencial. Quando voltou dos Estados Unidos, em 1956, veio com uma das mais poderosas armas para o desenvolvimento humano. Veio com o teatro incorporado a seu ser, acreditando que Stanislawisk o ajudaria a levar a cabo a revolução cultural necessária. E reinventou o teatro. Naquela época o Brasil se reinventava em todos os aspectos da criatividade humana: reformas de base, teatro, cinema novo,…
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Postado em 6 maio 2009 às 17:30