Não sei se é desencontro o que sinto perdido dentro do meu eu, pergunto-me se sou feliz nesse real abismo em que vivo e se esse mundo de ilusões irá levar-me a outro onde eu possa conseguir ser não só o que vêem, mas sim o que sou.
Minhas vestes já não correspondem meus interesses divisos entre opções que nem mesmo são as que eu escolho e sim as que já estão prontas a minha espera.
Meus amigos, aqueles que conheci a tantos anos parecem meros estranhos preocupados com a aparência e nunca com a essência, é como se qualquer signo fosse mais aconchegante que um abraço ou qualquer outra carícia.
Me emociono com filmes de “famílias em crise”, mesmo sabendo que a maior crise se encontra dentro da mente daquele que não sabe o que é estar em crise.
Dizem que eu ainda viverei para ver o fim dos tempos, mas eu acredito que já vivo dentro dele e os atos mais devastadores são cometidos com um sorriso e nem mesmo eu ou a maioria das pessoas percebem o quanto são incompreensíveis, porque afinal, o “pior inimigo” é sempre aquele que parece ser um “anjo”.
Sinto que a individualidade é cada vez mais pregada, quero sempre tudo no momento, na hora, no agora, acabo sempre sozinho satisfazendo as minhas vontades, sem perceber que o outrem também possui necessidades muito maiores do que as minhas e meu egocentrismo não me deixa enxergar.
Meu mundo aéreo, minhas culpas insanas pelos meus atos inconscientes, nada do que eu mais me arrependa por não ter vivido o ontem. Preocupei-me com o futuro e os pequenos gestos do agora que tanto prezei, se perderam muito antes do que minha alma jovem.
E se faltarem detalhes para descrever meus traços de insuficiência, posso sem dúvidas entender que negativamente ou positivamente sou pós-moderno e me renovo a cada dia.
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