A humildade é um valor que não tem preço. Eu, que testemunho uma humildade desse povo a cada dia, faço agora questão de contar uma que, até hoje, me é muito cara. Eu estava ali, sentado no banco para ser atendido, e dou fé.
Um senhor bem grisalhinho entrou na sala de atendimento do hospital aos passos lentos. Ele sorriu à moça, enquanto tentava tirar do bolso um cartão de papel. Colocou o cartão no balcão e ficou olhando para a moça. Balbuciou alguma coisa, que não entendi bem; talvez tivesse dito a especialidade do médico que queria consultar.
-- Este cartão não vale mais. O plano não existe mais. O senhor não vai poder ser atendido aqui.
Ele continuou olhando para ela para, eu julguei, certificar-se de que ela estava falando sério. Não sorriu mais para ela -- e é justo que assim tenha sido, porque ele teria dado muito mais do que possuía naquele momento. Então, guardou o cartão e saiu da sala de atendimento aos passos lentos.
Quando ele passou da porta para o lado de fora, para a calçada, o sol bateu muito forte na cara. A partir dali, ele deveria encarar o mundo com suas próprias forças; deveria ir à luta; deveria, finalmente na vida, bater as asinhas.
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