Há 10 anos que leciono em Comunicação. Há 8 no ensino do Jornalismo. Todo o semestre temos que nos deparar com uma sala "cheia" de futuros jornalistas que esperam alguma coisa do professor e da disciplina. Preparamos aula, cumprimos com as exigências burocráticas da instituição, utilizamos recursos audiovisuais (para o ensino da comunicação é sempre bom), escolhemos ou não salas de aula adequadas para dar início ao processo de comunicação professor-futuros jornalistas. Contudo, existe o que chamo de "Área de Incógnita" nesse processo comunicativo, que é justamente no campo do receptor de sua aula: as interpretações e os usos que os futuros jornalistas farão do conteúdo de aula. Jamais iremos saber o que cada aluno pensa durante nossas aulas. Jamais iremos saber quais usos cada um de nossos alunos farão do conteúdo daquela disciplina. E nos surpreendemos a cada prova, a cada trabalho extra-classe, a cada exercício em sala. Alguns que julgávamos displicentes se mostram excepcionais, participativos e responsáveis. Outros são uma lástima. Mas o problema não está no professor, nem no futuro-jornalista, mas sim NA RELAÇÃO. É o processo que temos de rever e buscar sempre a melhor sintonia, a melhor forma de aproximar o aluno da interpretação dos conteúdos e do estímulo aos usos desse conteúdos com exercícios práticos. Interpretação é Teoria e Uso é Prática: ambos devem andar juntos pois fazem parte do mesmo processo comunicativo de aprendizagem. Bom semestre letivo à todos.
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