(prosa)
Andei para achar um lar
Encontrei um altar de defuntos:
Avistei um senhor aos meus olhos
O mesmo parecia não seguir em frente.
Pensei cá: onde quer ele chegar?
Não estava parado nem em movimento,
Só expressava uma conversa:
estava sentido solidão.
Quando lhe dei atenção,
o Senhor sábio me disse:
Quanto coração!
Foi então que eu percebi,
como não devemos desprezar
as pessoas que vimos a frente
Já que agora eu não vi quem pensei; -
Tivera visto, e sim lembrado um amigo
Aquele qual eu nunca tive, e não fora só um camarada:
mais um amigo de bar, mesmo do centro da Consolação,
Aonde eu morava para sentir qualquer desapego a nenhum apego:
E foi bom lá estar, foi lá bom orar, pois vi que a morte podia ser cheia
Repleta de amigos, festas e como bem algum bar ou boteco da avenida Paulista.
Ve-lo outra vez agora, amanhã talvez ele não estivesse no mesmo lugar, pois anda
O velho sábio para fazer novas amizades.
E assim foi naquela tarde de boemia...
Depois que eu dormia em casa, ele não bateu à porta, a campainha estava quebrada,
e ao sussurro saiu e respeitou o espaço que eu lhe tinha dado, à campainha ainda funcionava
Mas ele não tinha mãos, espíritos são feitos de vácuos em vão, pois aí eu vi
como a transparência das situações podem nos elevar à projeção ou não das pessoas; -
- Foi um prazer, disse meu amigo, em voz alta, após retornar de teu altar sagrado.
E sussurrei quase que morrendo lesto e untuoso:
- Volte quando quiser, a porta estará para sempre aberta...
Os dias eram diferentes aos anteriores e iguais às emoções futuras que pudera eu pregoar.
O velho não voltava, e foi numa tarde de primavera a cair as folhas das caóticas ruas de São Paulo, quando:
- Olá parceiro, como vai? Precisa de algo hoje?
Um pouco sonolento das rotinas bravas de sonos vespertinos, eu respondi acanhado:
- Boa tarde! O senhor voltou?...
- Sim.
Mais uma vez, entre aquele silêncio minuto:
- "Sim".
Levantei-me e disse:
- Entre! A porta continua aberta.
Vamos brindar a tarde de primavera?
E ele feliz como quem tivera brilhado os olhos em meio instante, sorriu e disse:
- Claro que sim. Ao tempo que esboçou determinada preocupação...
- Pois então, vamos chegar perto, e poderemos comemorar nossa eterna amizade, não é mesmo? Lancei eu com algum receio de os copos
justamente não trincarem, ou algo outro disperso e alheio a nossa vontade, mas e os copos partiram, a cerveja escorrreu braço meu abaixo, e de repente o senhor desapareceu.
Foi algo estranho e bonito.
Meses, anos, e minha vida continuara passando e com lembranças dos nossos breves encontros, eu ainda tinha esperança de vê-lo novamente,
e nada de ele retornar. Só mesmo lembrando como tudo é poético e passageiro, à vez das sombras que um dia vi, hoje a obra em vista e não em cinzas.
Curioso é pensar quando alguém nos é importante e precisa mexer com os astrais vitais, ainda que mortos e eternos, na Terra ou nos Céus,
ou vivos na Terra ou nos submundos, é preciso ter aberto os braços a quem vota em nome da amizade fraterna e cordial, pois este homem
não me fizera qualquer mal, e além além da vida, até depois de nosso remanescente encontro, eu tivera saudades de alguém que nunca existiu
e que também não fora um deus ou herói, mas sim, um verdadeiro cúmplice da boemia, ainda que não falássemos a língua dos anjos,
ou ainda que não falássemos a língua dos homens, sem amor, nada teríamos sido... Ou tido...
"E que neste verão a todos sorrisos possam nos trazer um prazer e quê de amor e proteção, a quem nos tem salvo e amado, por nós, por um deus, por Deus. Amem"
Guy Werneck
São Paulo - SP
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