O jornalismo segundo Eugênio Bucci
Por Pedro Durán Meletti
“É obrigatório que a gente saiba fazer melhor, só assim a gente consegue mudar a cultura”, era o que dizia o professor de jornalismo da USP, Eugênio Bucci, em palestra na PUC-SP, na última terça-feira. Ele defende que o Jornal Nacional (da Rede Globo) e a Veja são bons veículos de comunicação e que não adianta criticá-los, se não souber fazer melhor que eles.
Para Bucci, a mídia no Brasil tem feito, em geral, um bom trabalho. O grande problema da imprensa, já cerceando os debates sobre o diploma, a qualidade de ensino e a capacidade dos profissionais, é, segundo o professor, a legislação específica. “O que falta no Brasil não é um presidente da Globo ou da Record que seja bonzinho, mas medidas para regular este setor”.
A defesa do professor e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP é de que a melhor forma de se praticar o jornalismo seria em um tipo de “imprensa livre”, não vinculada ao Estado “e que possa ter mecanismos para suportar a crise econômica”. Ele considera a BBC, de Londres, um ótimo exemplo de veículo livre que deu certo.
Outro ponto que Bucci defende é a multiplicidade de fontes de informação, que se difunde cada vez mais no Brasil. “Não é verdade que dois ou três jornais controlam a opinião pública”, ele diz. Esse ponto é fundamental para entender a tese de Bucci de que “sem imprensa livre não há democracia”. Ele diz isso, para propagar a imagem de que “o bom jornalismo é um atalho para a paz”.
Em relação à obrigatoriedade dos diplomas para os cursos de jornalismo, matéria que o STF decidirá ainda neste ano, Eugênio Bucci considera a questão secundária. A questão central “não é a obrigatoriedade dos diplomas, mas a qualidade dos cursos de jornalismo”, diz. “Não precisa ter diploma para ser dono de jornal, mas precisa para trabalhar pra esse sujeito”, completa, indicando uma incoerência nesta questão diplomática.
“Os cursos devem capacitar os alunos a montar um veículo, a criar uma empresa”, defende Bucci, estimulando o perfil empreendedor do jornalista. Este tipo de iniciativa, na opinião dele, contribui para uma civilidade maior dentro da profissão, para um piso mais decente e melhores “procedimentos da profissão”. É uma das chaves para tirar definitivamente o jornalismo do que pode se chamar de “uma espécie de selva”, diz.
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