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Para grande mídia “questão social ainda é caso de polícia”

Mais viva do que nunca, a célebre frase do ex-presidente da República Velha, Washington Luís, é a máxima dos meios de comunicação que seguem ”demonizando” os movimentos sociais no Brasil.


É comum você ligar a TV e ouvir frases como “Baderneiros invadem terras no Pará”, ou então, “Grevistas param trânsito em São Paulo”. Porém, nessas situações, algum desses manifestantes foi ouvido? Você sabe quais são as suas reivindicações?

O secretário da coordenação nacional da Comissão Pastoral pela Terra (CPT), Antonio Canuto, revela que em uma breve visita ao próprio site da CPT e a muitos outros portais de notícias vinculados a movimentos sociais, é possível identificar uma série de denúncias relacionadas aos conflitos no campo, todavia, a mídia convencional nem sequer chega a apurá-las.

Segundo o Secretário de Movimentos Populares do Partido dos Trabalhadores, Wellington Diniz, tal prática é conhecida como criminalização dos movimentos sociais. Ele explica que “a grande mídia, motivada pelos interesses de seus donos, é a grande denunciadora dos movimentos. Atualmente, há uma campanha orquestrada, na qual vale tudo, desde manipulação de informações até criminalização de entidades e lideranças”.

Esse processo pode ser entendido, se for considerado que no Brasil todas as atividades de mídia são dominadas por 11 empresas familiares, que tem na publicidade a sua principal fonte de receita, além de ter grandes vínculos com setores conservadores da política nacional. Diniz salienta que essas famílias não podem permitir o avanço de movimentos contrários aos interesses de seus anunciantes e aliados e por isso optam por depreciar muitas lutas importantes.

De acordo com Canuto, “alguns casos passam do bom senso”. Ele conta que, em 2009, um acampamento do MST às margens da BR 230, em Pocinhos, na Paraíba, foi atacado por um grupo de homens encapuzados, que dispararam contra as famílias e torturaram sete trabalhadores. Com a chegada da polícia os encapuzados se retiraram e os trabalhadores foram presos. “Nada disso foi noticiado, mas quando os movimentos ocupam alguma fazenda aí então a mídia é rápida para noticiar e atacar, falando de baderna, de desrespeito à lei, que o governo foi capturado pelo MST e coisas do gênero” – comenta.

Como alternativa à criminalização exercida pelos “figurões” da comunicação no Brasil, Diniz aponta como soluções o ciberativismo (é uma forma de ativismo pela internet, usada para divulgar causas, fazer reivindicações e organizar mobilizações), o incentivo as rádios comunitárias e o desenvolvimento da TV Pública, meios nos quais as pessoas podem ser contempladas como cidadãos, acima dos interesses das empresas. Canuto, no entanto, frisa que esta é uma luta desigual. “A bancada ruralista no Congresso, os grandes proprietários, o judiciário e a mídia formam um bloco bastante coeso, que acaba colocando o direito à propriedade acima dos demais direitos (...) Mesmo assim a persistência pode vencer. Se os movimentos sociais não incomodassem, não haveria necessidade de tantos ataques a cada dia” – conclui.

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