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De meros expectadores, os moradores passam a escrever a própria história

Em um salão pequeno na Rua da Alegria, no bairro de Heliópolis, fica localizado o Cine Favela, projeto social que visa levar o cinema nacional até aqueles que nunca tiveram acesso a esse instrumento cultural. Repleto de quadros, livros e instrumentos cenográficos, o espaço parece não abranger a quantidade de projetos desenvolvidos.
A associação, que mesmo sem recursos é reconhecida pela mídia e por diversas organizações culturais, oferece a comunidade aulas de cinema, teatro, capoeira, além de produzir filmes com a participação dos próprios moradores. Com isso, promove a inclusão cultural de jovens da periferia e através da arte, instiga talentos e forma agentes culturais multiplicadores.
O que no início era só um projeto no papel, sem lugar certo para acontecer, se transformou no primeiro longa-metragem do Cine Favela, Gota de Sangue, em 2001. O presidente do projeto, Reginaldo de Túlio lembra que a princípio, parecia ser uma idéia deslocada da realidade. “Para nossa surpresa, o envolvimento da comunidade aconteceu de forma ampla. Mesmo com poucos recursos disponíveis e sem um elenco profissional, chegamos a um produto final aceito pela comunidade que se reconheceu no filme.”
Para dar continuidade a este trabalho, a entidade, que é independente, busca nas leis de incentivo à cultura subsídios para as produções. “Muitas vezes fazemos vaquinha para arrecadar dinheiro para o aluguel do salão, pois os recursos são mínimos”, conta a secretária do projeto, Genici Ledo.
Festival de Curta Metragem
Esta vertente do projeto, realizada há 5 anos, tem o intuito de unir e envolver as comunidades carentes, através da produção de curtas com temas, que se refere à própria realidade vivida. “Uma atividade que dignifica, conscientiza, educa e traz auto-conhecimento, por si só, traz esperança de um novo amanhecer”, explica Genici.

O festival foi criado com o objetivo de reconhecer os melhores trabalhos produzidos por comunidades semelhantes a Heliópolis, espalhadas por todo país. “No festival de 2008, recebemos mais de 40 curtas, dentre eles, o de um rapaz de Brasília. Este ano esperamos receber mais”, diz Genici.

No festival de 2009 haverá diversas exibições pelas ruas da comunidade. Serão escolhidos, por um júri técnico, os cinco melhores curtas-metragens e atores. Os ganhadores receberão a estatueta Cine Favela e um valor simbólico, em dinheiro. O festival deste ano, ainda não tem uma data confirmada, pois aguarda uma posição da Secretaria de Cultura.

Exibições: 1

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Comentário de Vanessa Silva em 9 outubro 2009 às 16:01
Olá Letícia! Interessantíssimo esse projeto!
Obrigada por ter compartilhado essa notícia conosco!Vc participa dele?
Muita gente acha que essas pessoas não têm interesse nas artes por ignorância, quando na verdade é exclusão. As salas de cinema, em sua maioria, estão em Shoppings Centers, com preços não acessíveis, nos centros das cidades.
Quantas salas de cinema, de teatro, museus existem na periferia? Como integrar essas pessoas no processo cultural se não levar a cultura até elas? Não digo aqui levar a cultura "do asfalto para o morro", mas levar instrumentos que permitam que as pessoas se manifestem culturalmente, façam teatro, cinema, suas próprias exposições...

Abraços...

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